Há algo em mim que sorri alegria
Nesse absoluto luto, fictício
Que chora uma eterna melancolia
Alguns guardados, rascunhos, pedaços... Achados em um ermo porto, do outro lado, lá onde a carne não abriga espaço. Faz-se alma e escreve pela perturbada mente, que mente. Escreve-se aqui, o presente passado. O passado em presente.
Quantas fantasias emocionais
Somos tantos
De qual dos meus
Me sei mais?
Desse que nasce agora
Ou desse eu antigo
Que não vai embora?
Sou eu mentindo pra mim
Ou o mundo que já não me convence mais?
Sob seus tons de cinza,
Esse olhar rente ao seu, que a pinta
De preto e branco
Você veste, esse sorriso de sombra
É luz na minha noite
Desse contraste da sua tinta
A pose é sua,
Metade dessa minha sintonia
De ver no seu posar,
Poesia!
Quando lhe é retirado o direito ao adeus, a saudade escreve na alma um desejo de presença que não aceita despedida.
A quem falo de amor, muitas vezes não me escuta, pois nem sempre pode me ouvir
A quem entrego o que sou, não sabe o caminho, só conhece a medida do doar-se em precisão
A quem me dou, sabe, mesmo sem saber, que embora seja sempre água, ha diferença entre,
Cobrir os pés e cobrir o corpo!
Quando falo eu, de amor
Não me escute, leia meu verbo
A quem falo de amor, falo com barulho nos atos
Silencio à boca, só a abro pro beijo
A quem falo de amor.
Às vezes planto ausência,
...para colher saudades.
Mas de alguma forma semeei indifereça
...e acabo por colher descaso.
Perdi o gosto pelo futuro
Estou preso às minhas melhores lembranças
Implorando-as, uma qualquer coisa de agora.
Que ainda lhe sobre doçura
Quando o mundo lhe for amargo
Que ainda lhe sobre um som
Quando o mundo for silêncio
Que sobre lembrança
Em dia de esquecimento
Que sobre um sorriso
Em dia que formos chuva
Que nos sobre um pouco de humano
Quando formos tão feras
Que sobre em nós
Um pouco de eu
Que sobre letras
Para tantos pontos
Há uma distorção, no meu não.
Amor é um verbo que não se conjuga no passado.
Meu pretérito é um talentoso nato
Quase vive, nos meus agoras
A hora não encena, seus minutos
O fato, fotografado
Revela um arrastar de rodas,
Uma dissonância, com o barulho do seu silêncio
Que eu engulo à seco.
Um bêbado de memórias
Absolvidor de certezas condenadas
Às eternidades de seus percalços
De qual mentiroso são todos os dias pares
A quem pertence esse dizer
Que a felicidade é provada nos ares?
Com esse cinza que decoro meu ser
Se sempre sorriso, qual então sua graça?
Se sempre tristeza , que alegria mereceria?
Que amar, não fere a dor de não ser farça?
Que farça amordaça a felicidade que seria?
Da tirania da vida, ninguém escapa
Ora, se sabes-se vivo, que há de mistério?
É de sua clava,
todo querer, sofrer seu demérito
Que tolice a de ofertar-se ao tempo
Um dia, o mais antigo
Terá dito, que fizera dele seu amigo
Para fingir ao fim, empenho
Então, guarde seu palavrório
Esse júbilo falacioso
Hoje eu sou crematório (de mim, é verdade)
Uma cortezia cinza de um morrer audacioso
Tem dias que a natureza deveria ser carinhosa com a nossa ínfima expressão de existir, nos tirar a vida como uma mãe que nos dá colo. Carinhosamente, até que os olhos se fechem. Tem dias que morrer me soa mais como um sorriso que como um adeus de qualquer tipo.
Que se abram, mil portões
Com o seu silêncio
É nele que dorme a fé
Da senhora, que a saudade abate
Ao amor que foi dormir lá fora
Da dor que não cala
A felicidade que ficou
Antagônico ao ausente que pareça
Ela tem pressa
que atendam sua prece