Alguns guardados, rascunhos, pedaços... Achados em um ermo porto, do outro lado, lá onde a carne não abriga espaço. Faz-se alma e escreve pela perturbada mente, que mente. Escreve-se aqui, o presente passado. O passado em presente.
11.6.17
#inspirações-008
Jogue o Dado -
"Roll the Dice"
Charles Bukowski
Se você vai tentar, vá com tudo
Senão, nem comece.
Se você vai tentar, vá com tudo
Isso pode significar perder namoradas,
esposas, parentes, empregos
e talvez a cabeça.
Vá com tudo.
Isso pode significar ficar sem comer por 3 ou 4 dias
Pode significar passar frio num banco de praça
Pode significar cadeia, menosprezo, insultos, isolamento.
Isolamento é o presente
todos os outros são um teste da sua resistência
de quanto você realmente quer fazer isso.
E você vai fazer
Apesar da rejeição e dos piores infortúnios
E isso será melhor do que qualquer coisa
que você possa imaginar.
Se você vai tentar, vá com tudo.
Não há outro sentimento como esse.
Você ficará sozinho com os deuses
e as noites irão flamejar como fogo.
Faça, Faça, Faça
Vá com tudo, por todos os caminhos
Você cavalgará a vida direto até a gargalhada perfeita
essa é a única boa luta que existe.
10.6.17
Passa
O tempo, finito, avisa
É chegado o dia
O passar das horas nessa nostalgia
Nesse diário de segredos
Meu último apelo
Nosso último dia
Não me falta mais coragem
Tem me faltado medo
essa certeza que cravaram em mim
Que 'nós', não combina com 'sim'
Me despeço com uma felicidade única
Uma certeza imensa
De que vivemos tudo,
ainda com tanto por conhecer
2.6.17
Medidas
Qual a medida do amor?
Amar, da maneira como se é, ou ser amado como se quer?!
E ainda assim, amo!
28.5.17
Enlatados
Peguei o elevador e desci, meio que com pressa nos atos
Quis riscar o simples
Era de tarde, ele tomou o cigarro meio abrupto
O silêncio em nada era fundamental
Havia ali uma tempestade completa de palavras
Um sentir o verbo e desenha-lo
No meio de um caos, andando entre ombros e solitários
Tantos!
Como somos tantos!
Será quantos somos, além de tantos?
Limitados, enlatados
Enlatamos
Palavras em corpos vazios
25.5.17
#inspirações-007
Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés
17.5.17
12.5.17
Das impossibilidades
Hoje eu preciso ir e não sei me fazer entender o como.
Pois o que sinto, toda vez que o impossível parece existir, se dispõe a torcer o tempo, a demonstrar a força e importância. Esse "estou aqui!" que não sei pra quê.
Não, a culpa não é sua, nem minha, somos consequências de descobertas tardias, como ouvi, me atrasei pra sua partida.
Preciso aceitar, que a saudade será o seu maior presente, que a minha despedida não terá sido escolha, mas sim necessidade de limite. Hoje preparo a sua ida com o meu melhor sentir, meu melhor carinho, vamos brindar nosso fim em nossas taças de beijos que ainda daremos.
O problema, amor, é que o amor nunca cabe em mim e justo em mim, que resolvi ser sincero com a forma de sentir, justo eu que não me importo em me desvestir para ver se posso trocar o número, ainda mais depois que você me coube tão bem.
Hoje a dor é mais forte que o ter, se é que tive.
E assim, entre aprender e mudar, entre a coragem, o tempo e o arriscar, me desconheço para tantos sins e me nego a tanta precisão.
Foi e terá sido sempre você, ainda que um dia eu me negue em dizer que sim, afinal se fosse...
Como já disse tantas vezes, eu posso conhecer o amor, mas não me foi chegada a vez de vivê-lo, posso conhecê-lo, mas sempre na sua impossibilidade.
Que eu saiba beijar na boca todas as despedidas que a vida me trás.
11.5.17
#inspirações-005
Gonzaguinha
Ontem um menino que brincava me falou
Hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que este tempo vai passar
Não se desespere e nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será
25.4.17
17.4.17
Das muitas formas
Com esse velho sorriso e essa armadilha de abraços
Pra fingir segurança nos seus laços
Me prender na impossibilidade de todo seu torpor
Ainda resido num condomínio vazio
Morador de mim
Enquanto sua bagunça me colore com seu sim
Pra me ver aflito
Eu que imploro a casa vazia
O recebo com esse desconforto
Das suas falácias e adornos
Por ver minha menina brincar sozinha
A alegria corre de um quarto a outro
A felicidade já brinca no chão da sala
O desejo prepara o que comer
A loucura afia os dentes de sua própria tara
Enquanto o mundo parece silêncio e pausa
Ao te olhar nos olhos a se pôr
Seria você o velho ou o novo e mesmo
Amor
Ainda deixei escrito no chão da entrada
Seja bem vindo!
30.3.17
Loucura
O pra sempre, sempre me assusta
O nunca mais, sempre me empurra
Caio abismos de loucura
12.3.17
Dessa despedida
Explodindo em mãos alheias
Meus sentimentos confusos
Minhas confissões agudas
Já não desenho mais sorrisos no seu rosto
a felicidade já não se deita com nossos gostos
Como aceitar o amargo proposto
Por esse meu eu que fracassou?
Sou náufrago na ilha de seus sonhos
Cheguei a nado
Afoguei o tempo e o amor com o cansaço
Não concedo saudade ao seu espaço
Sou carrasco da sua falta
Um percalço da insistência
Por culpa ou descaso
Descartável por excelência
Meu último gesto de bondade
Livrar seu dia da minha companhia
É justo!
Mas que justiça mereço eu, ainda?
Senão a tristeza de um tempo frio
De quem não sabe corrigir o próprio riso
De quem se limitou aos sentidos
De quem se matou por princípio
19.2.17
18.2.17
Da nossa manhã
Gosto quando acorda, ainda com sono
E eu posso molhar toda sua manhã
Ver brotar você, como se não existisse o resto do dia
16.2.17
Se existir perdão
Essa felicidade que já não sinto
Zombo do descaso do meu destino
Já não me irrito, aceito e pronto
Já sei que ficamos pra trás
Eu ou você e o nosso tanto faz
Nossa insistência é um animal selvagem
Fingimos sua inocência, ou do que é capaz
Brincamos com explosivos,
como se pudessemos controlar os riscos
Pouco importa nosso futuro
O deixamos sem ter o que comer, com nossos vícios
Não há segurança pra todos os nossos perigos
Não há abrigo para o frágil que criamos
Perdemos o tempo dançando com nossos medos
Escolhemos a parte falida do que vivemos
Tentarão me convencer que a dois é difícil ser
Só é assim aos que forçam encaixes sem perceber
Depois da facilidade sorrir na minha cara o óbvio
Será a vez da certeza de dizer que foi tão próximo
Que o amor perdoe nossa covardia
Por uma saudade que devora cada um dos nossos dias
15.2.17
Não se justifica
A ação é quem sofre de abandono
Me serve mesmo a palavra, esse meu registro
Alí, com data, naquele dia eu fui poesia
Essa coisa manca de conceitos
Atarefada de enfeitar o agora com seus adereços
Quero mais noites como a de ontem
Dias, como a manhã de hoje
Em que nasci na sua boca
Sem precisar dar qualquer nome
Vai ver a verei de novo, talvez algum dia
Esse precisar de certeza é a tolice do homem
Quero seu descaso em mim
Seu descompromisso
Como a nossa noite sem fim ou início
#inspirações-004 - O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Manoel de Barros
6.2.17
Miséria
Me anuncia os segredos do amor
Esse silêncio, que mata quem hoje dormiu sob a chuva
E que me faz lembrar todo dia, os seus choros de agonia
A poesia pintada de vermelho
Vermelho vivo do coração que sangra
Não vê na sua esquina, como a fome se alimenta de mais um?
Mas se choro eu a sua falta, quem há de dizer que não há dor?
Deve ser assim, a falta dele, me servem um jantar de miséria, do que não se tem...
Nele, me fastio, me sei eu!
Ah o seu amor, esse que ao dizer de mim, alimentava minha alma.
25.1.17
Pesadelos
21.1.17
Erro cronológico
18.1.17
Bruxa
17.1.17
Céu
4.1.17
Circo
Sua, toda essa minha alma Vasta, insegura, pequena e aflita De se um dia saberei cuidar da sua, alma minha
Eu que desconheço os atalhos da escrita Dou na vista, Esse sentir, da certeza em ti Do amor da minha vida
Me embaraço nos sentidos Sou equilibrista num circo de saudades Trapezista de sonhos vivos Nesse picadeiro de verdades
19.9.16
Do silêncio
O gosto do silêncio é um quê de doce
O doce é um provar a saudade pela boca
É conseguir mastigar o tempo com prova
Não com o tédio velado, ou a alegria maquiada
O silêncio é o verso da vida
Cantando sua rima
Falando onde te faz casa.
28.6.16
#inspirações-003
Ai Que Saudade D'Ocê
Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade de ocê
Se um dia ocê se lembrar
Escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio
Com frases dizendo assim
Faz tempo que eu não te vejo
Quero matar meu desejo
Te mando um monte de beijo
Ai que saudade sem fim
E se quiser recordar
Aquele nosso namoro
Quando eu ia viajar
Você caía no choro
Eu chorando pela estrada
Mas o que eu posso fazer
Trabalhar é minha sina
Eu gosto mesmo é de ocê
22.6.16
Trama
Na minha trama
Você olha a dama,
Perco sua mão
Tomo seu silêncio como gratidão
Bebo certezas tão minhas
Que minha escrita me convida
Ao meu mundo com ela
Tão íntima
Se faça por extenso, poesia
Na cadência de palavras sozinhas
Nessa imensidão de silêncio
Quando quem me tira pra dançar
É a lembrança,
Quem saudades têm, ciúmes
Quem tem raiva
É pai dos dois!
E assim dorme
Na nossa vista,
Palavras de nós dois
21.6.16
Sépia
que eu vou colar essa foto no meu quarto
na porta do meu armário
só pra lembrar o mais belo dos seus lados
faz um sorriso de maldade
escondendo uma fatia dos lábios com uma mordida
um olhar de serenedidade
só para eu lembrar de toda nossa intranquilidade
vai, espere ai, nessa fatia de luz e sombra
um filtro sépia de presente
que faça parecer antigo, o nós no hoje
nesse seu sorriso amarelo, escurecido do escuro de mim mesmo
me cole ao lado da sua foto, na vitrine dos meus olhos
para que a receba na sala do meu corpo
meio ofuscado de qualquer cor
para me colorir de teu amor
ser sua fotografia,
enquadrada no verde dos olhos que se fecham como lente
para dormir em minha frente
os sonhos de futuro, filtrados no nosso presente
20.6.16
Camaleão
Acho graça, sempre ter graça para ver
Acho graça, ser o mesmo desvirtuado viciado em letras
Enquanto a sua graça, se virtualiza de deixar de ser
Assim camaleão,
Acho graça, da graça que assume
Por achar que a graça antiga não tinha graça
Deve ser por sua beleza ser de graça, que vai ver, não via
Mas vai lá fazer a graça de deixar de ser
16.6.16
Feito canela
Dança no vento
Desafia o eterno em seu passo breve
Laça o querer em seu próprio tempo
Bailarina da liberdade
Não sei se gira ela
Ou gira o mundo,
No redemoinho de sua afinidade
Aprisiona a beleza em si
ou a beleza lhe doa os olhos
de quem a sabe definir?
é verso solto
sem rima ou contorno
ela é fotografia
12.6.16
Melancolia
Há algo em mim que sorri alegria
Nesse absoluto luto, fictício
Que chora uma eterna melancolia
23.5.16
Mundo de criança
Ai do mundo, se não for igualzinho ao seu sonhar
Pois onde você mora, o sorriso é brisa e vento
E toca a todos com seu jeito de voar
Que seus sonhos alcem voos como as borboletas
Colorindo os olhos de quem perto esteja
E que você se saiba o jardim,
Filha da beleza como campos de jasmim
Que seu maior brinquedo seja a vida.
As palavras e a escrita, uma das suas melhores companhias
Que o estudar, seja a sua escada
E que o céu e as estrelas tenham um gostinho conhecido de casa
Que seus amigos sejam seu maior tesouro
E que você descubra que a amizade é a maior riqueza entre vocês
Que o tempo seja seu dinheiro
E que você saiba sempre gastá-lo muito bem
Que esse presente, seja embrulhado e guardado na sua lembrança
Como uma casinha, num vale todo verde, de criança
Que deixei para você visitar sempre
Ao fim de uma estrada de barro, bem diferente
Onde é sempre seu aniversário
E a festa aqui
É a alegria de vê-la sempre contente.
17.5.16
#Inspirações-002
Legião Urbana
Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou pra você
São só palavras, texto, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
Da peça que interpreto, um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos
E há muito estou alheio e quem me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno
É dor, se há, tentava, já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor,se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade e você com outro alguém
E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver
Só terminou pra você
Só terminou pra você
Só terminou pra você
2.5.16
Apontamento
Com um tiro desses que saem pela culatra
Como dos três dedos que apontam para nós,
Que eu tenha aprendido antes,
A importância do perdão!
21.3.16
Outono
Nesse seu passar, são suas, as folhas que caem
Você infligi ao tempo, um abraço de vento
Desfolha a vida, renova dos galhos às nossas despedidas
Todas as minhas certezas, descoloridas com a sua vinda
Na minha tentativa de entendimento
Uso eu, no seu dia, estação e poesia
4.2.16
#Inspirações-001
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém te ver.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky em cima dele
e inalo fumaça de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
aqui dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres estragar o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão dormindo.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não fique triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer por completo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e você?
27.1.16
Fantasias
Quantas fantasias emocionais
Somos tantos
De qual dos meus
Me sei mais?
Desse que nasce agora
Ou desse eu antigo
Que não vai embora?
Sou eu mentindo pra mim
Ou o mundo que já não me convence mais?
22.1.16
Tons de cinza
Sob seus tons de cinza,
Esse olhar rente ao seu, que a pinta
De preto e branco
Você veste, esse sorriso de sombra
É luz na minha noite
Desse contraste da sua tinta
A pose é sua,
Metade dessa minha sintonia
De ver no seu posar,
Poesia!
4.1.16
Sem se despedir
Quando lhe é retirado o direito ao adeus, a saudade escreve na alma um desejo de presença que não aceita despedida.
14.12.15
A quem falo de amor
A quem falo de amor, muitas vezes não me escuta, pois nem sempre pode me ouvir
A quem entrego o que sou, não sabe o caminho, só conhece a medida do doar-se em precisão
A quem me dou, sabe, mesmo sem saber, que embora seja sempre água, ha diferença entre,
Cobrir os pés e cobrir o corpo!
Quando falo eu, de amor
Não me escute, leia meu verbo
A quem falo de amor, falo com barulho nos atos
Silencio à boca, só a abro pro beijo
A quem falo de amor.
4.11.15
Colheita
Às vezes planto ausência,
...para colher saudades.
Mas de alguma forma semeei indifereça
...e acabo por colher descaso.
30.10.15
Jogo de dados
nos demos de presente o descaso.
O trabalho e a conquista, como recompensas
daquilo que recebemos por pura sorte
20.7.15
17.7.15
Brincar de mentir
e não há uma, que não seja verdade
Você brinca com a verdade
e não há uma em que se possa acreditar
10.7.15
Desgosto
Perdi o gosto pelo futuro
Estou preso às minhas melhores lembranças
Implorando-as, uma qualquer coisa de agora.
8.7.15
Quem mata?
Há quem fale de deus e mate
à sangue frio mesmo
Empunhando preconceito, como arma
A indiferença, acredite você
Mata!
O ladrão, morre se a gente vê
nos dias de hoje.
Quando se cala
esse gole intolerante
De que a desculpa serve como ladra
quem mata?
Quem acredita, que se paga com morte,
à ignorância de não ensinar,
7.7.15
Pontos
Que ainda lhe sobre doçura
Quando o mundo lhe for amargo
Que ainda lhe sobre um som
Quando o mundo for silêncio
Que sobre lembrança
Em dia de esquecimento
Que sobre um sorriso
Em dia que formos chuva
Que nos sobre um pouco de humano
Quando formos tão feras
Que sobre em nós
Um pouco de eu
Que sobre letras
Para tantos pontos
6.7.15
Sol
foi por ter me distraído com o tempo,
vai ver é assim também com o amor.
19.6.15
Passível de mentira
É esse silêncio rochoso
É essa certeza indelicada
Com seu efeito doloso
É passível de verdade
Todo meu desinteresse interessado
Toda minha vaidade
Da sua ausência, duas letras e um nada
Das certezas, uma palavra nova mal colocada
De todas as mentiras dissertadas
Coincidências descartadas
É passível de mentira
toda rima que culmina
Nessa blasfêmia toda minha
Para os verbos insaciáveis
Minha loucura justifica
Toda uma razão que rumina
Doses de desejos irrefutáveis
16.6.15
Indiferença
Não faz diferença!
O seu sorrir, que o meu saber desconhece,
Não faz diferença!
Que diferença faz, o meu agora?
Agora?
Agora não faz diferença!
Desacostumei de sua presença
Qual a diferença?
Desacostumei ainda, de sua ausência
E se não for verdade,
qual a diferença?
Não importa mais
Sobrara nossa indiferença
15.6.15
Sentido distorcido
Há uma distorção, no meu não.
Amor é um verbo que não se conjuga no passado.
Meu pretérito é um talentoso nato
Quase vive, nos meus agoras
A hora não encena, seus minutos
O fato, fotografado
Revela um arrastar de rodas,
Uma dissonância, com o barulho do seu silêncio
Que eu engulo à seco.
Um bêbado de memórias
Absolvidor de certezas condenadas
Às eternidades de seus percalços
1.6.15
Seguros, seguimos.
Errado!
Não sairemos daqui, de onde pegamos o trem andando, antes de escolhermos a estação adequada para descermos. Parece que a viagem virou um exílio, não têm passageiros no vagão que entrei. Exilados do amor, nós encontramos uma galeria de prediletos das dores, sem a força e a fé do impulso de tomar a vida pra si.
Seríamos tão mais felizes, dois passos à frente, na chuva mesmo.
- Você já foi feliz na chuva? Eu já!
Quero dizer de quando a felicidade é tamanha, que o frio vira motivo de riso ou desculpa para um abraço mais apertado, não esfria, o molhar da roupa não incomoda, mesmo que ainda lhe falte uma condução até em casa, ou uma caminhada demorada.
Mas se vamos sair daqui? Não, acho que não! Perdemos para a repetição dos dias, perdemos para nós, perdemos para o nosso começo, não era pra ser assim, mas agora que já foi, pode-se somente acomodar-se no que é, pois ser mesmo, não pode.
A gente só está na composição, torcendo pro maquinista não sair em qualquer estação, ou que o destino final, por sorte seja o mesmo de quando embarcamos. Ninguém pensa em descer, por que lá fora faz frio e as estações andam vazias demais, talvez tenhamos que aceitar, que mais cedo ou mais tarde, toque uma espécie de sinal e que saltemos com um adeus perdido em mãos, ou quem sabe, seguiremos aqui, do lado de dentro, nesse trem vazio, acento duro, mas seguros. Seguros! Só ainda não sei bem de que.
28.5.15
Clava da vida
De qual mentiroso são todos os dias pares
A quem pertence esse dizer
Que a felicidade é provada nos ares?
Com esse cinza que decoro meu ser
Se sempre sorriso, qual então sua graça?
Se sempre tristeza , que alegria mereceria?
Que amar, não fere a dor de não ser farça?
Que farça amordaça a felicidade que seria?
Da tirania da vida, ninguém escapa
Ora, se sabes-se vivo, que há de mistério?
É de sua clava,
todo querer, sofrer seu demérito
Que tolice a de ofertar-se ao tempo
Um dia, o mais antigo
Terá dito, que fizera dele seu amigo
Para fingir ao fim, empenho
Então, guarde seu palavrório
Esse júbilo falacioso
Hoje eu sou crematório (de mim, é verdade)
Uma cortezia cinza de um morrer audacioso
Ceifadora
Tem dias que a natureza deveria ser carinhosa com a nossa ínfima expressão de existir, nos tirar a vida como uma mãe que nos dá colo. Carinhosamente, até que os olhos se fechem. Tem dias que morrer me soa mais como um sorriso que como um adeus de qualquer tipo.
18.5.15
Desconstruindo
De esticar a vida pra entender a falta
De grudar até ser composto por parte do outro
De justificar com encanto a razão
De abraços,
De olhares,
De gostos
Fatias de mim
Que o tempo leva como rasura
De um advir perfeição
Essa que gruda com o vento do sentir
Na superfície desértica de sua pele
Como se fosse, das suas pintas, o contorno
Tempestade de mim
De querer ser
Levado como areia pelos seus pés
De que um dia, você passeou em mim.
6.4.15
2.4.15
Mil preces
Que se abram, mil portões
Com o seu silêncio
É nele que dorme a fé
Da senhora, que a saudade abate
Ao amor que foi dormir lá fora
Da dor que não cala
A felicidade que ficou
Antagônico ao ausente que pareça
Ela tem pressa
que atendam sua prece
Distraído
Tropecei no seu sorriso
que ao lhe descobrir
4.2.15
Culpados?
Foi do meu acreditar que se apaixonou por elas
Não foram suas faltas, foi a preferência
Eu não mudei o sabor e talvez você preferisse algo mais amargo
O tempo foi uma das vítimas, era novo demais
Engasgou-se com tantas histórias pela metade,
A realidade deu um tiro no futuro na frente dos nossos olhos
Alguém sequestrou a esperança e como resgate nos cobrou mentiras.
Me lembro do choque ao encontrar a certeza.
Era ela quem sussurrava verdades que fingia não saber.
Não, a culpa não foi das suas promessas,
Foi do meu acreditar, que gostou de cada uma delas.
Descobrimos que a saudade tinha sua irmã gêmea e que nós a separamos
A convivência com ela sempre foi a mais difícil.
Foi cedo que ela fez amizade com a loucura,
E para que como irmãs se vissem, guardavam segredo.
Hoje eu ainda lhe dou abrigo, faz tempo que não vê sua outra metade
Envolveu-se com um tal de silêncio, agora já o recebe em casa
A loucura anda se consultando com a razão, já não se falam tanto
Mas a culpa foi mesmo do meu querer
Ele insistiu em suas promessas,
Eu só quis acreditar em você.
21.1.15
Falta
13.1.15
A tristeza tem sempre uma esperança
24.11.14
Retalhos - Humano - #2
19.11.14
Rotina
14.11.14
Como estrela
Sabe aquele mirante de frente para uma beleza inteira?
Deveria ser criado um só pra ela.
Com fundo de luzes e lua, de sol até estrelas.
Nem ela, observa-se tanto,
Sou um telescópio inteiro apontado para seu ser.
Um louco ao encontrar brilho e cores numa estrela distante.
Onde só resta o observar, a imensidão do céu e o devaneio.
A sós com cada raio de luz que chega,
Pois aqui eles chegam com atraso,
A fonte segue à risca a física
É um ver no presente o passado
Essa minha lente distorcida
Essa minha mente que faz da saudade prisma
Sentado aqui nessa beira de caminho
Recebo cada um dos seus raios
Que ainda escolhem por brilhar na minha vista.
Retalhos - Nós perdidos - #1
10.11.14
À deriva
23.10.14
Travessia
um terço é coragem,
outro lábio de harmonia
para falar de saudade
a quem já viveu de espera.
vou fugir da noite
recostar a cabeça no peito de um sorriso
acompanhado de passado
que é pra não acordar
a dor que dorme
na beira do caminho
4.9.14
Trovões
Recebo rosas roubadas em resmas de rimas
Lhes digo, durmam durante meu dizer
Pois tardo trovões tirânicos
Como sonhos sonhados sãos
Em plena luz do dia!
25.6.14
Segredo
Ela um menino
Ele sentiu vontade de se aproximar
Ela apenas não quis se esquivar
Ele veio falar dele
Ela tinha o que escutar
Ele encontrou no acaso um espelho
Ela se desencontrou ao se achar
Ele fingiu não ter tanto a dizer
Ela ria das pequenas coincidências
Ele marcado pela vida
Ela a marcar a vida dele
Ele se perdia em conhecê-la
Ela se encontrava por se perder
Ele pele e beijo
Ela tempero e ímpeto
Ele desejoso e arteiro
Ela de vestido e vestida de olhar
Ele inventando meios
Ela dando um jeito de se levar
Ele intensidade
Ela intensa em se entregar
Ele hoje é saudade
Ela um segredo a se guardar
17.3.14
Dia de Poesia
quando da vida, quero um contento
A poesia não é meu recurso, é ela quem me toma e abusa
quando para ela a causa é justa
A poesia não é meu brinquedo, que eu tomo a revelia
e marco no seu olhar a minha visão distorcida
A poesia é que me usa, que a compreensão só me resta
para justificar a loucura de ser tomado por ela
A poesia, é uma razão da vida que a própria vida
não precisa
A poesia é um pôr de sol sem fotografia, sem grafia,
é a abstração do entendimento
uma ideia que a palavra desperta depois de lida
A poesia é o espelho dos sentidos,
sem dar nenhuma forma ao que se revela
11.3.14
Acredite
10.3.14
2:14 - AM
Ele grita,
- Uma hora da manhã!,
num silêncio retumbante, acredite.
Ele estampa na minha cara
E mira o tempo no entendimento
Minha insônia dorme sua madrugada
Enquanto eu a aprecio e acalento,
Ou eu dou voz a todo momento
A um velho amigo que anda trôpego
Batendo meio torpe
Sem fôlego
Me pedindo um pouco mais de tempo?
Sorte tem o homem que a insônia desperta
Acorda e vigia de longe o sono
E ele sem saber, vítima de um adiamento
Sonha sem querer
Que quando acordado
Ela lhe rouba o tempo em pequenos ensaios
Ou lhe toma o futuro inteiro
Com seus presságios
Já não importa tantos anseios
É o nosso estar presente o que damos
Hoje sou eu quem não adormeço
Pois é quando o tempo voa
Que vivo todos os meus intensos!
6.3.14
...
Você busca abrigo em antigas marquízes
Eu me escondo numa nova vírgula,
Enquanto a sombra torneia nossos deslizes
Você faz cair folhas passadas
Agitando uma velha árvore
Pintando a minha calçada
Dessa tristeza de mármore
Pouco nos importa, além do que era posse
Sobrou de mim um livro lido
De você, um desejo de sorte
Sabe aquele corte?
Passou, remediei com soro e gaze
Sabe aquela frase, que você gostou?
Eu guardei com tudo que sobrou
O que não passa mesmo é a gramática
Quando eu falo de pronome possessivo
E você usa livre como adjetivo
Nessa nossa errante temática
Vai ver foi sem querer
Que a gente não deixou de gostar
Nos apertamos num encaixe de ter
Para esconder em qualquer lugar o dar
Vai lá e sorri na cara dele a beleza que não soube extrair
Que eu vou ali,
desmedir o beijo que sempre foi seu
Abraça-o tão forte, mas sem mentir
Que eu vou ali,
dar o meu amor como se não tivesse conhecido o seu
A culpa é mesmo do nosso português,
pois o eu não combina com você
Mesmo que você, combine com aquilo que era meu
18.2.14
Não
É aquela placa de atenção,
é a curva no meu caminho
É o abismo no deserto,
É meu destino,
Incerto
Ser for não
12.2.14
Em um só, tantos de mim
Há algo em mim que silência
Há algo em mim que fere
Há algo em mim ferido
Há, há sim!
Há algo em mim que sorri
Há algo em mim que chora
Há algo em mim tão ambíguo
Que sua existência revela seu inverso
Há em mim algo
Há em mim vazio
Há em mim,
Que ao existir
Não há
por haver tantos,
Em um só,
Tantos de mim
7.2.14
Recomeços
Infinitos de mim mesmo
Tardo, confuso, falho
E lá vou eu
Desgarrando de tantos meus
Juntar novos achados
Atar novos laços
Para não ter de recomeçar
Por mais um breve espaço
Atração
modificando-o pelo que se é,
Quando se sai, o meio todo se revela
As aproximações, não reagem por efeito impositivo,
São as mesmas exercendo a mesma foça,
Apenas agora, não sofrem a ação da sua energia
Logo, tudo tende ao que era, como um reagrupamento natural,
mostrando somente o que realmente somos
E aquilo que lhe atrai, lhe revela
Vivos
…Acima de qualquer coisa, supere-se! Supere não somente a isso, mas a escravidão do pensamento que se acostuma com o abater-se, com os nossos pedaços. Una-os, erga-se…
Não é a morte o limite da vida e sim da nossa ignorância. Não é a dor o limite do sentir, e sim o não sentir o limite de sentir dor.
E até que qualquer pior que se imagine chegue, tenha nos dias os apelos da ignorância: viva-os como se tudo fosse saudável, como se não se fosse nunca, como se não sofrera de nada.
E não imagine isso como uma mentira, pois podemos ferir o corpo, agredir o físico, mas jamais fragmentar a alma. E essa alma ainda está ai, tão viva quanto a qualquer um de nós.
Não se prenda ao tempo, ao que dirá qualquer quadro. Faça uso do que puder para amparo, mas não tome tudo como verdade. E viva, viva, viva.
Ao destino, ao que vier a acontecer, dê sua ignorância de todo o coração.
12.6.13
Sorte
Sorte dos amados, que têm na distância dos desagrados, saudade
de uma certeza singular
Sorte daquele amor, que sendo amado, sabe-se morno e preso à rotina,
ensolarado pela repetida presença
Sorte dos amantes, que não sonhando, vivem, como se dormissem a vida
Sorte daqueles amados, que tendo a quem amam, mesmo sem o sorriso sorrindo,
são amados amantes
Sorte dos amantes
Amados
21.5.13
Ponto Final
Me perguntaram certa vez.
- Como se desmancha um ponto final? Rabiscando?
- Não! - respondi.
- Acrescente mais dois pontos.
5.3.13
Fraguimentos
--
Me rouba, sentir e alma e fico nu de mim na sua ausência.
--
Deixe-me ser a sua fuga, a sua incerteza segura, sua insegurança perfeita.
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Posso desejar o seu impulso feminino, a sua insanidade permissiva, um vulcão de prazer em elo sedento de ousadia!
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Com a sorte, com a noite em meio as ruas, andarilho de costume.
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E um dia percebe-se que as palavras jamais perdem sua vida e diminuí-las em valor, é o mesmo que nunca tê-las sabido ler.
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E sendo eu escritor, desses impulsos de alma, jamais deixarei de viver suas intensas armadilhas, uma delas, o amor, esse da paixão do desejo, a do amor de amar.
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Que sua viagem seja sempre seu abrigo e que sua morada, não passe de seus pés.
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Sei que a perdi, mas quem sabe um dia, o amor vença ao tempo, o sonho vença a realidade ignorante que joga a mentira sempre, de que nada é pra sempre!
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Se teme por guiar tuas próprias pernas, não reclame da viagem, no cavalgar de teus medos!
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Do pecado da carne, conheço quase todos, dos tropeços da mente vazia à liberdade.
...em meu próprio escrever, nesse vulgar homem que profana o ver, na escrita fria que nada fala...
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A alma é uma montanha, sua erosão ocorre pelas lágrimas de teus olhos e pelo vento de teus medos, a esculpes pelas tuas emoções.
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...os teus cabelos soltos são o mais belo apelo dos nós que nasceriam dos meus dedos...
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Será que sou egoísta em me entregar a você, só para ter você pra mim?
--
...ainda lembro de tardes inteiras ao seu lado, essas que nunca tive, tão mais lindas...
--
Morro mais, não quando me matas em ti, mas quando me mutilo, por não poder ser.
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Me desconstruindo só pra ver "enquantos" pedaços você está.
--
À minha beira, quando me procurares, deixe-me tuas rosas, é o presente dos mortos.
--
Não me encontro no seu tempo verbal, não sei se sou passado, futuro ou presente.
--
Só quem conhece o gosto da solidão, percebe o doce que há no amargo de cada companhia.
--
Ah o amor!... esse menino brincalhão que corre com o coração na mão fazendo arte e a gente feito velho gritando cuidado.
--
Qualquer dia desse eu morro! Assim bem devagar, um pouco no passar de cada hora.
--
Aquele que não sabe lidar com o fim não pode entender o que é eterno.
--
A felicidade se permite à tristes batalhas para que a tristeza não a corrompa por inteira.
--
O difícil é seduzir o barco à segurança do porto, justo para aquele que já se acostumou com as tempestades.
27.12.12
Vai saudade!
Vai saudade!
Diz pra ela, que ela é quem faz você ser
sempre mais doce…
Que só por ela vale viver em latência,
Sem jamais ser morta,
Sem jamais deixar de ser saudade…
Direção
16.8.12
19.6.12
Vendido ao tempo
Batida
Enquanto eu tempero o agora com vazios
Misturando lembrança de nós dois
Com açúcar e limão
Uma batida amarga, como se bebe a dois
Enquanto só penso em silêncio
Sozinho em casa
Mesmo com gente na sala
O mais sujo exílio
Nessa solitária de mim mesmo
14.6.12
Bate-papo
O faço, por uma convivência, entre o pensamento e o pensante
Ardo trabalho
... a convivência!
Espera!
Desça da escada da vaidade, se te leio
Também, eu?!
Sou pensamento de mim mesmo!
E pasme, tu que finges não me ler
Sou eu falando comigo
Não ocorre o mesmo com você?
... por último
me repito, poesia e poeta,
para fazer do diálogo
um pouco mais doce,
do recanto que criei, para receber a mente
E um pouco de nós dois
5.6.12
29.5.12
Insônia
O seu até breve é sol na minha noite,
é o que não me deixa dormir, é minha insônia.
Meu temor não é sua presença, sua cara de raiva,
nem minhas efêmeras dúvidas que te causam medo
Ou sua face de repulsa,
Meu temor, é o teu invisível,
É o cerco do teu perigo pela minha urgência em salvar-te,
Meu temor é a distância que dissipa o presente, ou desamarra o passado
O teu até breve,
É faca na minha certeza do corpo descrito,
Fincado em você
Até logo não!
Pois o amanhã é distante e o logo não existe!
Feche os olhos e me beije a boca dos sonhos
É onde costumo vingar, plantado no agora,
Eternizado no presente,
Petrificado na necessidade viva,
não de que me viva,
Mas que me saiba vigilante de nós,
Ainda que durmamos muitas vezes
E nesses dias, ainda zelo por teu sono
Pois eu sofro de insônia
30.4.12
Imoral
É a minha qualidade mais humana
Ali, tão irresistivelmente exposto
Covardemente vestido de homem e louco
A poesia de Bukowski, compartilharia minha lama
Defeituoso, torto, ou fraco
Me fale então, a Tua perfeição
Pergunto a Ti, que de tamanho ou benevolência
Me ardiria na alma a dor.
Se do homem ficar por fim, o caráter,
O que falam em tua ausência?
Os meus segredos são profanos
E meu nome uma mordaça
Não desenho o acaso, escrevo a lápis a vida
E o grafite que grava, tem ponta fina
Corta e fura, o papel apenas rasga
Gravo minha falta
Do que vale a minha sorte dada?
Qual dos homens passará por Sua entrada?
Sempre acho que Deus guarda um pouco de vingança e graça
A coragem de ser o que sou,
A poesia não salva
Drummond eterniza, outro rasga
De qual dos meus defeitos o amor se disfarça?
Hoje te faço palavras
Te rabisco no vento
Me julguem os ruins, os que cometem maldade
Não os bons, que cultivam o bem e não entendem
Afinal, deve haver um motivo para anjos terem asas
13.3.12
Inflamável
Estar com você é sempre como brincar com fogo,
sabendo que existe um barril de pólvora no peito…
28.9.11
Conchas na areia
Cito os meus murmúrios de respeito
Assino tudo com meu nome, para que tenham a quem culpar
Mas escrevo com letras de sereno
Que colhi no mar da vida
Como a quem recolhe conchas na areia
Brinquei de escolher gente, pessoa mesmo
Com certa irreverência, pois de todos sobrara apenas eu
Mas esse eu de ignorante, pois ainda sei-me burro de mim
E fui 'ajuntar' sem medo, alguns quase amigos
Esses que na hora certa em que a onda chega a praia
Estão à areia com você
Sempre mora mais em mim
Palavras frescas, dessas ainda molhadas de água salgada
Assumo, vezes algumas as colho em rios, então...
Minto se digo que não há doce preso em minhas conchas líricas
Colhi tudo no mar da vida
Ainda que não entenda esse baú de coisa sem preço
Meu apreço é dessa coisa toda dividida
Afinal escrever moço, é 'ajuntar' a sua língua embaralhada
De um dicionário sortido
Ou desse dividir íntimo de encontrar uma letra
No abismo de um 'A'...prolongue-o (aaaaa)!
Ou no suspiro de um U... esse de quase mesmo, (uuuu)!
Mas junta os 'pedaço' e vê se não sai,
Torcendo como pano velho, essa coisa de passado
Esse trapo molhado
Pra ver se não pinga
Amigos de hora vivida
Presentes para dividir o estouro da chegada
Da onda na praia,
Como um 'u' ou um 'a' que a gente encontra
Da palavra dividida
Eles a fração de Deus
Para Deus não se fazer mentira, nessa precisão
De métrica e companhia
27.9.11
De olhos fechados
Somos todos iguais aqui nessa casa de portas vedadas,
onde sós e nus,
nos vemos mais que no espelho do outro que nos lê.
19.9.11
Fotografia
é permitir o enquadramento pelo outro,
é deixar a composição em outras mãos, ou interpretações.
É de fato se fazer retrato em ação, ali paralisado
na face de quem agora só me lê fotografia.
Nunca temi morar em nenhuma retina, tampouco me negarei
a enfeitar móveis com passado.
Molduras ciliares me encerram.
29.8.11
Escalada
E que vamos de alguma forma conseguir algo,
seguindo o que os outros falam ou sentem?
Na maior parte do tempo estamos fazendo escolhas,
sem nem sequer conhecermos as consequências.
Atiramos o dado do destino só por um segundo e tudo muda!
Insistimos que tudo deveria parar e ser.
Mas se então se faz, a monotonia é inevitável.
Vem o desconforto e lá vamos nós, para um desembaraço
de sorrisos e lágrimas.
Até que percebemos que o fundamental não é isso?
É podermos mesmo rir, de felicidade e vontade, até doer a bochecha
Assim bem largo e forte a ponto de contagiar a todos!
O mesmo não vale para o choro?
Bom é chorar e de verdade, como se fosse o último,
Como se tivesse sido esquecido, num guarda volumes por alguém,
que nem vem te buscar!
Numa rodoviária distante, sozinho...
chorar de soluço, senão não tem graça, não vale, é fingimento.
Não é uma beira de abismo o que precisamos sempre?
Pulamos e escalamos a montanha, hoje sorrio no salto
Amanhã me lanço de tédio, depois subo como conquista
Volto sempre!
Mas, a vida não é sempre isso? (...)
A vida é não parar e a gente acha que sempre busca felicidade.
Quando na verdade...
A gente busca mesmo é passar mais tempo calmo,
mais tranquilo, apreciando a vista da montanha que subimos.
23.5.11
Quebra-cabeça
E não faz a menor diferença saber escrever.
Isso aqui é vida, a gente rabisca ali, para ler lá e depois
achar que entendeu às avessas e escrever de novo, mas agora tudo diferente.
Nada aqui está acima ou abaixo do mal ou em busca da razão acima de todas
que derrube todos os verbos com a verdade da sabedoria, isso é mentira.
Se nossa escrita tem por consequência falar aos nossos ouvidos o caminho
de entendimento de nós mesmos, oras se vê-se quebra-cabeça desmontado
falará das peças e não dá obra.
O que penso é que há um céu em uma peça que o componha, infinita quanto o todo,
logo dela falaria das nuvens como se o céu todo fervesse nela, não?
E de quem não é a dor de toda alegria e de quem não é a alegria de toda dor?
Somos essa repetição e quais as palavras que nunca foram ditas?
Somos mesmisses, exclamações, choros, indagações, somos esse coletivo desajustado,
mas a busca não é por alinhá-los ou correspondê-los, é senão por harmonizá-los,
fazer com que as pernas e os passos sigam uma direção coerente com o que
reflete no pensamento.
Boa caminhada, não na escrita, mas nas atitudes, a gente também mente
para nós mesmos e tudo o que penso é que ainda assim a ignorância não só evidência
o tão pouco que sabemos, como é ela que rege o todo pelo qual nos apaixonamos.
A verdade e a certeza, são armas contra o épico de viver!