11.6.17

#inspirações-008

Buscando um novo rumo... tomando os dados à mão...


Jogue o Dado -
"Roll the Dice"

Charles Bukowski

Se você vai tentar, vá com tudo
Senão, nem comece.

Se você vai tentar, vá com tudo

Isso pode significar perder namoradas,
esposas, parentes, empregos
e talvez a cabeça.

Vá com tudo.

Isso pode significar ficar sem comer por 3 ou 4 dias
Pode significar passar frio num banco de praça
Pode significar cadeia, menosprezo, insultos, isolamento.

Isolamento é o presente
todos os outros são um teste da sua resistência
de quanto você realmente quer fazer isso.

E você vai fazer

Apesar da rejeição e dos piores infortúnios
E isso será melhor do que qualquer coisa
que você possa imaginar.

Se você vai tentar, vá com tudo.

Não há outro sentimento como esse.
Você ficará sozinho com os deuses
e as noites irão flamejar como fogo.

Faça, Faça, Faça

Vá com tudo, por todos os caminhos
Você cavalgará a vida direto até a gargalhada perfeita
essa é a única boa luta que existe.

10.6.17

Passa

A proximidade me intimida
O tempo, finito, avisa
É chegado o dia

O passar das horas nessa nostalgia
Nesse diário de segredos
Meu último apelo

Nosso último dia

Não me falta mais coragem
Tem me faltado medo

essa certeza que cravaram em mim
Que 'nós', não combina com 'sim'

Me despeço com uma felicidade única
Uma certeza imensa

De que vivemos tudo,
ainda com tanto por conhecer

2.6.17

Medidas

Qual a medida do amor?
Amar, da maneira como se é, ou ser amado como se quer?!
E ainda assim, amo!

28.5.17

Enlatados

Minha mente é um desacato...
Peguei o elevador e desci, meio que com pressa nos atos
Quis riscar o simples
Era de tarde, ele tomou o cigarro meio abrupto
O silêncio em nada era fundamental
Havia ali uma tempestade completa de palavras
Um sentir o verbo e desenha-lo
No meio de um caos, andando entre ombros e solitários
Tantos!
Como somos tantos!
Será quantos somos, além de tantos?
Limitados, enlatados
Enlatamos
Palavras em corpos vazios

25.5.17

#inspirações-007

Cartola - O mundo é um moinho

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

12.5.17

Das impossibilidades

Sou do tipo de pessoa que não tem sorte com o amor, digo isso pois ao não conhecer o objeto amado, não sabendo toda a força do mesmo, parece que as coisas permeiam um quase não sentir. Sente-se, mas nem tanto. Já eu, descobri! Mas não vou dizer que para minha sorte, pois toda sua força é equivalente à sua impossibilidade.

Hoje eu preciso ir e não sei me fazer entender o como.
Pois o que sinto, toda vez que o impossível parece existir, se dispõe a torcer o tempo, a demonstrar a força e importância. Esse "estou aqui!" que não sei pra quê.

Não, a culpa não é sua, nem minha, somos consequências de descobertas tardias, como ouvi, me atrasei pra sua partida.

Preciso aceitar, que a saudade será o seu maior presente, que a minha despedida não terá sido escolha, mas sim necessidade de limite. Hoje preparo a sua ida com o meu melhor sentir, meu melhor carinho, vamos brindar nosso fim em nossas taças de beijos que ainda daremos.

O problema, amor, é que o amor nunca cabe em mim e justo em mim, que resolvi ser sincero com a forma de sentir, justo eu que não me importo em me desvestir para ver se posso trocar o número, ainda mais depois que você me coube tão bem.

Hoje a dor é mais forte que o ter, se é que tive.

E assim, entre aprender e mudar, entre a coragem, o tempo e o arriscar, me desconheço para tantos sins e me nego a tanta precisão.

Foi e terá sido sempre você, ainda que um dia eu me negue em dizer que sim, afinal se fosse...

Como já disse tantas vezes, eu posso conhecer o amor, mas não me foi chegada a vez de vivê-lo, posso conhecê-lo, mas sempre na sua impossibilidade.

Que eu saiba beijar na boca todas as despedidas que a vida me trás.

11.5.17

#inspirações-005

Nunca Pare de Sonhar
Gonzaguinha

Ontem um menino que brincava me falou
Hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que este tempo vai passar
Não se desespere e nem pare de sonhar

Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá

Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será

17.4.17

Das muitas formas

Lá vem você, tentando se dizer amor
Com esse velho sorriso e essa armadilha de abraços
Pra fingir segurança nos seus laços
Me prender na impossibilidade de todo seu torpor

Ainda resido num condomínio vazio
Morador de mim
Enquanto sua bagunça me colore com seu sim
Pra me ver aflito

Eu que imploro a casa vazia
O recebo com esse desconforto
Das suas falácias e adornos
Por ver minha menina brincar sozinha

A alegria corre de um quarto a outro
A felicidade já brinca no chão da sala
O desejo prepara o que comer
A loucura afia os dentes de sua própria tara

Enquanto o mundo parece silêncio e pausa
Ao te olhar nos olhos a se pôr
Seria você o velho ou o novo e mesmo
Amor

Ainda deixei escrito no chão da entrada
Seja bem vindo!

30.3.17

Loucura

Tenho medo de altura
O pra sempre, sempre me assusta
O nunca mais, sempre me empurra

Caio abismos de loucura

12.3.17

Dessa despedida

Sou uma bomba caseira
Explodindo em mãos alheias
Meus sentimentos confusos
Minhas confissões agudas

Já não desenho mais sorrisos no seu rosto
a felicidade já não se deita com nossos gostos
Como aceitar o amargo proposto
Por esse meu eu que fracassou?

Sou náufrago na ilha de seus sonhos
Cheguei a nado
Afoguei o tempo e o amor com o cansaço
Não concedo saudade ao seu espaço

Sou carrasco da sua falta
Um percalço da insistência
Por culpa ou descaso
Descartável por excelência

Meu último gesto de bondade
Livrar seu dia da minha companhia
É justo!
Mas que justiça mereço eu, ainda?

Senão a tristeza de um tempo frio
De quem não sabe corrigir o próprio riso
De quem se limitou aos sentidos
De quem se matou por princípio

18.2.17

Da nossa manhã

Gosto de colher a felicidade como quem rega plantas para ver folhas
Gosto quando acorda, ainda com sono
E eu posso molhar toda sua manhã
Ver brotar você, como se não existisse o resto do dia

16.2.17

Se existir perdão

Meu melhor escudo é esse sorriso
Essa felicidade que já não sinto
Zombo do descaso do meu destino
Já não me irrito, aceito e pronto

Já sei que ficamos pra trás
Eu ou você e o nosso tanto faz
Nossa insistência é um animal selvagem
Fingimos sua inocência, ou do que é capaz

Brincamos com explosivos,
como se pudessemos controlar os riscos
Pouco importa nosso futuro
O deixamos sem ter o que comer, com nossos vícios

Não há segurança pra todos os nossos perigos
Não há abrigo para o frágil que criamos
Perdemos o tempo dançando com nossos medos
Escolhemos a parte falida do que vivemos

Tentarão me convencer que a dois é difícil ser
Só é assim aos que forçam encaixes sem perceber
Depois da facilidade sorrir na minha cara o óbvio
Será a vez da certeza de dizer que foi tão próximo

Que o amor perdoe nossa covardia
Por uma saudade que devora cada um dos nossos dias

15.2.17

Não se justifica

De que serve a razão se quando ela se justifica
A ação é quem sofre de abandono
Me serve mesmo a palavra, esse meu registro
Alí, com data, naquele dia eu fui poesia

Essa coisa manca de conceitos
Atarefada de enfeitar o agora com seus adereços

Quero mais noites como a de ontem
Dias, como a manhã de hoje
Em que nasci na sua boca
Sem precisar dar qualquer nome

Vai ver a verei de novo, talvez algum dia
Esse precisar de certeza é a tolice do homem
Quero seu descaso em mim
Seu descompromisso

Como a nossa noite sem fim ou início

#inspirações-004 - O apanhador de desperdícios

O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel de Barros

6.2.17

Miséria

A poesia é meu purgatório
Me anuncia os segredos do amor
Esse silêncio, que mata quem hoje dormiu sob a chuva
E que me faz lembrar todo dia, os seus choros de agonia

A poesia pintada de vermelho
Vermelho vivo do coração que sangra
Não vê na sua esquina, como a fome se alimenta de mais um?

Mas se choro eu a sua falta, quem há de dizer que não há dor?
Deve ser assim, a falta dele, me servem um jantar de miséria, do que não se tem...
Nele, me fastio, me sei eu!

Ah o seu amor, esse que ao dizer de mim, alimentava minha alma.
De quantas misérias de mim, me alimento, que ainda existe alguém que deixo por morrer de fome.

25.1.17

Pesadelos

Hoje resolvi colocar a saudade de castigo
A falta eu deixei à porta
Fechei antes que ela resolvesse entrar
Coloquei o som mais alto pra não ouvir ninguém bater

A minha vontade eu deixei sem água
Privei minha esperança, de dormir
Para que não sonhe
Pra cama só me restou trazer a razão

Hoje vamos deitar os dois
Ela de sono leve e eu com pesadelos
Raspei da pele as emoções
Me fiz um tronco de madeira frio

Para ver se respiro mais um dia
Nessa minha certeza transparente
De que nunca seremos nós
Por mais que a gente tente

18.1.17

Tombo

Nessa noite
O barulho foi forte
Numa poça
A lua caiu

Bruxa

Eu que sei ouvir as letras
Que te digo com os olhos, esses que não dizem
Mas digo por eles quando espelho
Escrevo!

Gosto da bruxaria do seu cheiro
Da sua cor e da sua tinta
Da sua estampa
Da sua cara nua, desvestida!

Eu que me fascino pela palavra escrita
Tomo um porre de leigos e filosofias
Minha caneca vazia de uma vida plena,

seria conto ou mentira?
Encanto ou encontro?

Provérbio de algum tempo citado pelo acaso
trazido pontualmente pro presente?

Meu desejo e meu anseio
Se abraçam, se beijam
E eu?
Eu vejo!

17.1.17

Céu

Me deixa ser seu sol
Abre seu céu pra me receber assim
Feito gaivota que percorre sua imensidão
Feito beijo de lua na sua escuridão
Me abre seu céu, pra eu voar em você
Pra ser seu
Me pôr no seu azul inteiro
Um nó em alusão ao ser
Seu e só.

4.1.17

Circo

É seu o meu amor,
mas ainda é seu o que não conheço em mim
Que só você descreve sem pudor
Como se soubesse antes de sentir

Sua, toda essa minha alma
Vasta, insegura, pequena e aflita
De se um dia saberei cuidar da sua, alma minha

Eu que desconheço os atalhos da escrita
Dou na vista,
Esse sentir, da certeza em ti
Do amor da minha vida

Me embaraço nos sentidos
Sou equilibrista num circo de saudades
Trapezista de sonhos vivos
Nesse picadeiro de verdades

19.9.16

Do silêncio

O gosto do silêncio é um quê de doce
O doce é um provar a saudade pela boca
É conseguir mastigar o tempo com prova
Não com o tédio velado, ou a alegria maquiada

O silêncio é o verso da vida
Cantando sua rima
Falando onde te faz casa.

28.6.16

#inspirações-003

Geraldo Azevedo
Ai Que Saudade D'Ocê

Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade de ocê

Se um dia ocê se lembrar
Escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio
Com frases dizendo assim
Faz tempo que eu não te vejo
Quero matar meu desejo
Te mando um monte de beijo
Ai que saudade sem fim

E se quiser recordar
Aquele nosso namoro
Quando eu ia viajar
Você caía no choro
Eu chorando pela estrada
Mas o que eu posso fazer
Trabalhar é minha sina
Eu gosto mesmo é de ocê

22.6.16

Trama

Na minha trama
Você olha a dama,
Perco sua mão
Tomo seu silêncio como gratidão

Bebo certezas tão minhas
Que minha escrita me convida
Ao meu mundo com ela
Tão íntima

Se faça por extenso, poesia
Na cadência de palavras sozinhas
Nessa imensidão de silêncio

Quando quem me tira pra dançar
É a lembrança,
Quem saudades têm, ciúmes

Quem tem raiva
É pai dos dois!

E assim dorme
Na nossa vista,
Palavras de nós dois

21.6.16

Sépia

faz pose pro meu retrato
que eu vou colar essa foto no meu quarto
na porta do meu armário
só pra lembrar o mais belo dos seus lados

faz um sorriso de maldade
escondendo uma fatia dos lábios com uma mordida
um olhar de serenedidade
só para eu lembrar de toda nossa intranquilidade

vai, espere ai, nessa fatia de luz e sombra
um filtro sépia de presente
que faça parecer antigo, o nós no hoje
nesse seu sorriso amarelo, escurecido do escuro de mim mesmo

me cole ao lado da sua foto, na vitrine dos meus olhos
para que a receba na sala do meu corpo
meio ofuscado de qualquer cor
para me colorir de teu amor

ser sua fotografia,
enquadrada no verde dos olhos que se fecham como lente
para dormir em minha frente
os sonhos de futuro, filtrados no nosso presente

20.6.16

Camaleão

Acho graça te ver, camaleão,
Acho graça, sempre ter graça para ver
Acho graça, ser o mesmo desvirtuado viciado em letras
Enquanto a sua graça, se virtualiza de deixar de ser
Assim camaleão,
Acho graça, da graça que assume
Por achar que a graça antiga não tinha graça
Deve ser por sua beleza ser de graça, que vai ver, não via
Mas vai lá fazer a graça de deixar de ser

16.6.16

Feito canela

Essa menina de alma leve
Dança no vento
Desafia o eterno em seu passo breve
Laça o querer em seu próprio tempo

Bailarina da liberdade
Não sei se gira ela
Ou gira o mundo,
No redemoinho de sua afinidade

Aprisiona a beleza em si
ou a beleza lhe doa os olhos
de quem a sabe definir?

é verso solto
sem rima ou contorno

ela é fotografia

12.6.16

Melancolia

E quando testemunho seu sorriso
Há algo em mim que sorri alegria
Nesse absoluto luto, fictício
Que chora uma eterna melancolia

23.5.16

Mundo de criança

No seu coração, cabe a fantasia de um mundo inteirinho
Ai do mundo, se não for igualzinho ao seu sonhar
Pois onde você mora, o sorriso é brisa e vento
E toca a todos com seu jeito de voar

Que seus sonhos alcem voos como as borboletas
Colorindo os olhos de quem perto esteja
E que você se saiba o jardim,
Filha da beleza como campos de jasmim

Que seu maior brinquedo seja a vida.
As palavras e a escrita, uma das suas melhores companhias
Que o estudar, seja a sua escada
E que o céu e as estrelas tenham um gostinho conhecido de casa

Que seus amigos sejam seu maior tesouro
E que você descubra que a amizade é a maior riqueza entre vocês
Que o tempo seja seu dinheiro
E que você saiba sempre gastá-lo muito bem

Que esse presente, seja embrulhado e guardado na sua lembrança
Como uma casinha, num vale todo verde, de criança
Que deixei para você visitar sempre
Ao fim de uma estrada de barro, bem diferente

Onde é sempre seu aniversário
E a festa aqui
É a alegria de vê-la sempre contente.

17.5.16

#Inspirações-002

Os Barcos
Legião Urbana

Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver

Que só terminou pra você
São só palavras, texto, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato

Da peça que interpreto, um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos
E há muito estou alheio e quem me entende

Recebe o resto exato e tão pequeno
É dor, se há, tentava, já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor,se este é só orgulho

Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho
Baldio é o meu terreno e meu alarde

Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade e você com outro alguém
E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver

Só terminou pra você
Só terminou pra você
Só terminou pra você

2.5.16

Apontamento

Se um dia eu for morto,
Com um tiro desses que saem pela culatra
Como dos três dedos que apontam para nós,
                                   quando apontamos um.
Que eu tenha aprendido antes,
A importância do perdão!

21.3.16

Outono

Nesse ciclo, são seus os dias do início
Nesse seu passar, são suas, as folhas que caem
Você infligi ao tempo, um abraço de vento
Desfolha a vida, renova dos galhos às nossas despedidas
Todas as minhas certezas, descoloridas com a sua vinda
Na minha tentativa de entendimento
Uso eu, no seu dia, estação e poesia

4.2.16

#Inspirações-001

Bukowski - O Pássaro Azul
Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém te ver.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky em cima dele
e inalo fumaça de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
aqui dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres estragar o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão dormindo.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não fique triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer por completo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e você?
Charles Bukowski

27.1.16

Fantasias

Quantas fantasias emocionais
Somos tantos
De qual dos meus
Me sei mais?

Desse que nasce agora
Ou desse eu antigo
Que não vai embora?

Sou eu mentindo pra mim
Ou o mundo que já não me convence mais?

22.1.16

Tons de cinza

Sob seus tons de cinza,
Esse olhar rente ao seu, que a pinta
De preto e branco
Você veste, esse sorriso de sombra
É luz na minha noite
Desse contraste da sua tinta
A pose é sua,
Metade dessa minha sintonia
De ver no seu posar,
Poesia!

4.1.16

Sem se despedir

Quando lhe é retirado o direito ao adeus, a saudade escreve na alma um desejo de presença que não aceita despedida.

14.12.15

Música

Pois na música da vida, dançar é um deleite à parte.

A quem falo de amor

A quem falo de amor, muitas vezes não me escuta, pois nem sempre pode me ouvir
A quem entrego o que sou, não sabe o caminho, só conhece a medida do doar-se em precisão
A quem me dou, sabe, mesmo sem saber, que embora seja sempre água, ha diferença entre,
Cobrir os pés e cobrir o corpo!
Quando falo eu, de amor
Não me escute, leia meu verbo
A quem falo de amor, falo com barulho nos atos
Silencio à boca, só a abro pro beijo
A quem falo de amor.

4.11.15

Colheita

Às vezes planto ausência,
...para colher saudades.

Mas de alguma forma semeei indifereça
...e acabo por colher descaso.

30.10.15

Jogo de dados

Matamos nossa responsabilidade (!),
nos demos de presente o descaso.
O trabalho e a conquista, como recompensas
daquilo que recebemos por pura sorte

17.7.15

Brincar de mentir

Uso as frases como brinquedo
e não há uma, que não seja verdade 

Você brinca com a verdade
 e não há uma em que se possa acreditar

10.7.15

Desgosto

Perdi o gosto pelo futuro
Estou preso às minhas melhores lembranças
Implorando-as, uma qualquer coisa de agora.

8.7.15

Quem mata?

No mundo em que vivo
Há quem fale de deus e mate
à sangue frio mesmo
Empunhando preconceito, como arma

A fome, ainda mata
A indiferença, acredite você
Mata!
O ladrão, morre se a gente vê

Até a gente mata,
nos dias de hoje.
Quando se cala
Quando aceita mudo

esse gole intolerante
De que a desculpa serve como ladra
para que se tome à vida na marra.

Na tentativa vã, de mostrar seu valor,
quem mata?
Quem acredita, que se paga com morte,
à ignorância de não ensinar,

O valor da própria vida.

7.7.15

Pontos

Que ainda lhe sobre doçura
Quando o mundo lhe for amargo

Que ainda lhe sobre um som
Quando o mundo for silêncio

Que sobre lembrança
Em dia de esquecimento

Que sobre um sorriso
Em dia que formos chuva

Que nos sobre um pouco de humano
Quando formos tão feras

Que sobre em nós
Um pouco de eu

Que sobre letras
Para tantos pontos

6.7.15

Sol

Toda vez que duvidei do sol,
foi por ter me distraído com o tempo,
vai ver é assim também com o amor.

19.6.15

Passível de mentira

A pedra que bate em minha janela
É esse silêncio rochoso
É essa certeza indelicada
Com seu efeito doloso

É passível de verdade
Todo meu desinteresse interessado
Toda minha vaidade

Da sua ausência, duas letras e um nada
Das certezas, uma palavra nova mal colocada
De todas as mentiras dissertadas
Coincidências descartadas

É passível de mentira
toda rima que culmina
Nessa blasfêmia toda minha

Para os verbos insaciáveis
Minha loucura justifica
Toda uma razão que rumina
Doses de desejos irrefutáveis

16.6.15

Indiferença

O meu sorriso, que não sorri pelo seu,
Não faz diferença!
O seu sorrir, que o meu saber desconhece,
Não faz diferença!

Que diferença faz, o meu agora?
Agora?
Agora não faz diferença!

Desacostumei de sua presença
Qual a diferença?
Desacostumei ainda, de sua ausência

E se não for verdade,
qual a diferença?

Não importa mais
Sobrara nossa indiferença

15.6.15

Sentido distorcido

Há uma distorção, no meu não.
Amor é um verbo que não se conjuga no passado.
Meu pretérito é um talentoso nato

Quase vive, nos meus agoras
A hora não encena, seus minutos
O fato, fotografado

Revela um arrastar de rodas,
Uma dissonância, com o barulho do seu silêncio
Que eu engulo à seco.

Um bêbado de memórias
Absolvidor de certezas condenadas
Às eternidades de seus percalços

1.6.15

Seguros, seguimos.

De alguma forma parece que vai passar, parece que vamos amadurecer na manhã do dia seguinte e dar vazão a tudo que sonhamos. Parece que resolveremos nos colocar à luz da maturidade e oportunidade, anunciaremos que o dia chegou e que agora é a hora de assumirmos tudo. Descrito assim, parece que ao ler o coração pega carona na ladeira do entusiasmo e como para descer todo santo ajuda, seguimos sem ter que por a mão na direção, é só deixarmos ir e iremos.

Errado!

Não sairemos daqui, de onde pegamos o trem andando, antes de escolhermos a estação adequada para descermos. Parece que a viagem virou um exílio, não têm passageiros no vagão que entrei. Exilados do amor, nós encontramos uma galeria de prediletos das dores, sem a força e a fé do impulso de tomar a vida pra si.

Seríamos tão mais felizes, dois passos à frente, na chuva mesmo.

- Você já foi feliz na chuva? Eu já!

Quero dizer de quando a felicidade é tamanha, que o frio vira motivo de riso ou desculpa para um abraço mais apertado, não esfria, o molhar da roupa não incomoda, mesmo que ainda lhe falte uma condução até em casa, ou uma caminhada demorada.

Mas se vamos sair daqui? Não, acho que não! Perdemos para a repetição dos dias, perdemos para nós, perdemos para o nosso começo, não era pra ser assim, mas agora que já foi, pode-se somente acomodar-se no que é, pois ser mesmo, não pode.

A gente só está na composição, torcendo pro maquinista não sair em qualquer estação, ou que o destino final, por sorte seja o mesmo de quando embarcamos. Ninguém pensa em descer, por que lá fora faz frio e as estações andam vazias demais, talvez tenhamos que aceitar, que mais cedo ou mais tarde, toque uma espécie de sinal e que saltemos com um adeus perdido em mãos, ou quem sabe, seguiremos aqui, do lado de dentro, nesse trem vazio, acento duro, mas seguros. Seguros! Só ainda não sei bem de que.

28.5.15

Clava da vida

De qual mentiroso são todos os dias pares
A quem pertence esse dizer
Que a felicidade é provada nos ares?
Com esse cinza que decoro meu ser

Se sempre sorriso, qual então sua graça?
Se sempre tristeza , que alegria mereceria?
Que amar, não fere a dor de não ser farça?
Que farça amordaça a felicidade que seria?

Da tirania da vida, ninguém escapa
Ora, se sabes-se vivo, que há de mistério?
É de sua clava,
todo querer, sofrer seu demérito

Que tolice a de ofertar-se ao tempo
Um dia, o mais antigo
Terá dito, que fizera dele seu amigo
Para fingir ao fim, empenho

Então, guarde seu palavrório
Esse júbilo falacioso
Hoje eu sou crematório (de mim, é verdade)
Uma cortezia cinza de um morrer audacioso

Ceifadora

Tem dias que a natureza deveria ser carinhosa com a nossa ínfima expressão de existir, nos tirar a vida como uma mãe que nos dá colo. Carinhosamente, até que os olhos se fechem. Tem dias que morrer me soa mais como um sorriso que como um adeus de qualquer tipo.

18.5.15

Desconstruindo

Eu gosto de me desconstruir
De esticar a vida pra entender a falta
De grudar até ser composto por parte do outro
De justificar com encanto a razão
Eu prefiro me desfazer em farelos
De abraços,
De olhares,
De gostos
Assim, me decompondo inteiro
Fatias de mim
Que o tempo leva como rasura
De um advir perfeição
Eu ainda prefiro ser poeira
Essa que gruda com o vento do sentir
Na superfície desértica de sua pele
Como se fosse, das suas pintas, o contorno
Eu ainda prefiro morrer no sim
Tempestade de mim
De querer ser
Levado como areia pelos seus pés
Que deixaram pegadas
De que um dia, você passeou em mim.

2.4.15

Mil preces

Que se abram, mil portões
Com o seu silêncio

É nele que dorme a fé
Da senhora, que a saudade abate
Ao amor que foi dormir lá fora

Da dor que não cala
A felicidade que ficou
Antagônico ao ausente que pareça

Ela tem pressa
que atendam sua prece

Distraído

Hoje, passeando distraído
Tropecei no seu sorriso
Desculpe,
E esbarramos de ombros, na vida
Foi sem querer,
    que ao lhe descobrir
Me apaixonei pelo acaso

4.2.15

Culpados?

A culpa nunca foi das suas promessas
Foi do meu acreditar que se apaixonou por elas

Não foram suas faltas, foi a preferência
Eu não mudei o sabor e talvez você preferisse algo mais amargo

O tempo foi uma das vítimas, era novo demais
Engasgou-se com tantas histórias pela metade,

A realidade deu um tiro no futuro na frente dos nossos olhos
Alguém sequestrou a esperança e como resgate nos cobrou mentiras.

Me lembro do choque ao encontrar a certeza.
Era ela quem sussurrava verdades que fingia não saber.

Não, a culpa não foi das suas promessas,
Foi do meu acreditar, que gostou de cada uma delas.

Descobrimos que a saudade tinha sua irmã gêmea e que nós a separamos
A convivência com ela sempre foi a mais difícil.

Foi cedo que ela fez amizade com a loucura,
E para que como irmãs se vissem, guardavam segredo.

Hoje eu ainda lhe dou abrigo, faz tempo que não vê sua outra metade
Envolveu-se com um tal de silêncio, agora já o recebe em casa

A loucura anda se consultando com a razão, já não se falam tanto
Mas a culpa foi mesmo do meu querer

Ele insistiu em suas promessas,
Eu só quis acreditar em você.

21.1.15

Falta

Falta, tem um quê de lembrança, uma fatia de querer e umas duas metades, uma de futuro e outra de passado. Falta, não é uma regra, nem uma imposição, é um caminho que o sentimento encontra por ser livre, para aonde ir. Falta é aquele olhar de cão sem dono, que ao se despedir, corre à porta e olha pra quem quer que seja perdido: "Não é você! Cadê?"; Falta é essa atmosfera de saber onde, quem, quando, tocar isso com os olhos fechados, se sentir imenso e ao abrir, olhar no espelho de si mesmo, falta. Falta não é se saber metade, é saber-se inteiro para alguém, que sendo inteiro também, se oferece para ver que ser, está muito mais ligado à incompletude de ser inteiro, do que ser metade de fato. Falta não é o que ainda virá, é aquilo que previamente sabido, o desejo pede no presente. Falta, está bem mais próximo às palavras que não encontrei para explicarem o seu sentido, que a todas as escolhidas, por uma pequena definição lógica. Tentando lhe dizer a falta que faz, percebo que dizer é encontrar, e a falta que faz, não encontra palavra nenhuma que a defina, ela falta por inteira...

13.1.15

A tristeza tem sempre uma esperança

As pessoas não gostam mais de amor em poesia, preferem aqueles dizeres de um anônimo, como se pudesse contar uma história boa do inicio ao fim, sem falar das partes ruins. Ensaiam a felicidade pelo sorriso, sem saber que atrás de cada sorrir existe uma fatia de lágrimas escorridas e outras secas e outras tantas, bem contidas. Tenho lido tantas fórmulas do amor certeiro e livre, como se o exercício do amar bastasse para acertarmos as contas com nós mesmos, sem termos aprendido antes pelo erro. Embora eu não concorde em nada com a máxima de que é pelo erro que se aprende, pois para mim é pelo erro que se erra e se machuca. A dor nos faz evitá-la, de punhos cerrados ou coração apertado, não importa, e a isso chamamos aprendizado. Aprendiz mesmo, pra mim, é aquele que sabendo que magoar dói por ter visto a mágoa fazer mais uma de tantas de suas vítimas e escolhe por não fazê-lo, ou aquele que aprendendo a gostar de si e investindo em seus sonhos, colha com os frutos de viver o que sonhara. E vale lembrar que gostar de si mesmo requer um exercício diário e longo, afinal é você quem mais lhe causa infortúnios ou males a qualquer outro. Por vezes por dar valor a algo que não merecesse, ou por ter mudado de opinião nos trinta minutos do segundo tempo e querer parar o jogo com o estádio lotado, mesmo sendo o juíz, ou por simplesmente não gostar mais de vestir azul e se deparar com um armário que mais parece o céu e perceber que não tem o que vestir, mesmo com tanta oferta. Dada as proporções das dores que sofremos, de certo mesmo, é que temos que lidar com o que escolhemos e aceitarmos a nossa responsabilidade em nossa busca pelo que nos faz feliz, que a tristeza não é só um antônimo deste estado, como uma companheira incentivadora de nossa busca, é para que não sejamos tristes que buscamos essa tal felicidade, mas não difamaria qualquer tristeza que passei, afinal foram elas que me deram as marcas das minhas gargalhadas, essas que insisti em dar por saber o valor mensurado em cada fatia de seu avesso. Mas como eu ainda sou um desses que gosto de poesia, pra mim meio verso quase basta, "A tristeza tem sempre uma esperança, De um dia não ser mais triste não" (Samba da Benção - Vinicius De Moraes / Baden Powell).

19.11.14

Rotina

Eu ainda passo pela mesma rua, ainda no mesmo horário e esbarro em lembranças vivas. Se é um casal que vejo de mãos dadas, é na imagem deles que beijo o beijo que já não tenho mais. Eu ainda faço o mesmo caminho de dias atrás, como alguém que caminha catando conchas, eu vou colecionando lembranças, um banco de praça, uma faculdade que não fiz, uma rua e um passeio às pressas como sempre, um ponto de ônibus, uma esquina ao lado de casa. E na tentativa vã de não deixar que o passado tomasse sua companhia, guardei-me em algum elo com uma realidade decorada de recordações.

14.11.14

Como estrela

Ela pensa não ser mais vista
Sabe aquele mirante de frente para uma beleza inteira?
Deveria ser criado um só pra ela.
Com fundo de luzes e lua, de sol até estrelas.

Nem ela, observa-se tanto,
Sou um telescópio inteiro apontado para seu ser.
Um louco ao encontrar brilho e cores numa estrela distante.
Onde só resta o observar, a imensidão do céu e o devaneio.

A sós com cada raio de luz que chega,
Pois aqui eles chegam com atraso,
A fonte segue à risca a física
É um ver no presente o passado

Essa minha lente distorcida
Essa minha mente que faz da saudade prisma
Sentado aqui nessa beira de caminho
Recebo cada um dos seus raios

Que ainda escolhem por brilhar na minha vista.

Retalhos - Nós perdidos - #1

Eu nunca escrevi poesias, sempre liguei pontos no escuro de um papel, para ter no desenho das letras, companhia.

10.11.14

À deriva

O difícil é seduzir o barco à segurança do porto, justo pra quem já se acostumou com as tempestades.

23.10.14

Travessia

faço a travessia em silêncio

um terço é coragem,
outro lábio de harmonia
para falar de saudade
a quem já viveu de espera.

vou fugir da noite
recostar a cabeça no peito de um sorriso
acompanhado de passado

que é pra não acordar
a dor que dorme
na beira do caminho

4.9.14

Trovões

Tardes torneadas de tons tristes
Recebo rosas roubadas em resmas de rimas
Lhes digo, durmam durante meu dizer
Pois tardo trovões tirânicos
Como sonhos sonhados sãos
Em plena luz do dia!

25.6.14

Segredo

Ele descobriu um olhar
Ela um menino
Ele sentiu vontade de se aproximar
Ela apenas não quis se esquivar
Ele veio falar dele
Ela tinha o que escutar
Ele encontrou no acaso um espelho
Ela se desencontrou ao se achar
Ele fingiu não ter tanto a dizer
Ela ria das pequenas coincidências
Ele marcado pela vida
Ela a marcar a vida dele
Ele se perdia em conhecê-la
Ela se encontrava por se perder
Ele pele e beijo
Ela tempero e ímpeto
Ele desejoso e arteiro
Ela de vestido e vestida de olhar
Ele inventando meios
Ela dando um jeito de se levar
Ele intensidade
Ela intensa em se entregar
Ele hoje é saudade
Ela um segredo a se guardar

17.3.14

Dia de Poesia

A poesia é o meu não entendimento por extenso,
quando da vida, quero um contento

A poesia não é meu recurso, é ela quem me toma e abusa
quando para ela a causa é justa

A poesia não é meu brinquedo, que eu tomo a revelia
e marco no seu olhar a minha visão distorcida

A poesia é que me usa, que a compreensão só me resta
para justificar a loucura de ser tomado por ela

A poesia, é uma razão da vida que a própria vida
não precisa

A poesia é um pôr de sol sem fotografia, sem grafia,
é a abstração do entendimento
uma ideia que a palavra desperta depois de lida

A poesia é o espelho dos sentidos,
sem dar nenhuma forma ao que se revela

11.3.14

Acredite

Se eu pudesse lhe sussurrar os meus anseios
Será que teria os meus calafrios?
As promessas que faço são levianas e mornas,
diante do que vejo com os olhos fechados.

Eu poderia lhe dar o mundo, aquele dos sorrisos,
dos crimes justificáveis, dos erros desculpáveis,
do suor das manhãs esgotadas de sol e pele

Eu poderia correr a vida
Com a mão estirada ao seu alcance, 
Para que tivessemos o apoio no cansaço
E o abraço na vitória

Eu condenaria a sua dor à solitária,
Anos a fio, mas não impediria que você a visitasse,
Pularia os muros feitos de cada não
Converteria as incertezas, com esse meu otimismo desmedido

Seríamos capazes de tudo, os infinitos recomeços
O reconhecermo-nos a cada intervalo em que mudamos
Sempre com o mesmo entusiasmo
Esse que cria a paisagem da estrada e no fim, um abrigo

Não fosse, por não poder pedir que acredite no que vejo,
não fosse os olhos fechados e o sonho,
não fosse a verdade de que a sorte pode lançar os dados

E posso parar na outra haste de um bilhete deixado sobre a mesa

10.3.14

2:14 - AM

O relógio me agride,
Ele grita,
- Uma hora da manhã!,
num silêncio retumbante, acredite.

Ele estampa na minha cara
E mira o tempo no entendimento
Minha insônia dorme sua madrugada
Enquanto eu a aprecio e acalento,

Ou eu dou voz a todo momento

A um velho amigo que anda trôpego
Batendo meio torpe
Sem fôlego

Me pedindo um pouco mais de tempo?

Sorte tem o homem que a insônia desperta
Acorda e vigia de longe o sono
E ele sem saber, vítima de um adiamento
Sonha sem querer

Que quando acordado
Ela lhe rouba o tempo em pequenos ensaios
Ou lhe toma o futuro inteiro
Com seus presságios

Já não importa tantos anseios
É o nosso estar presente o que damos
Hoje sou eu quem não adormeço

Pois é quando o tempo voa
Que vivo todos os meus intensos!

6.3.14

...

A gente já não fala mais a mesma língua
Você busca abrigo em antigas marquízes
Eu me escondo numa nova vírgula,
Enquanto a sombra torneia nossos deslizes

Você faz cair folhas passadas
Agitando uma velha árvore
Pintando a minha calçada
Dessa tristeza de mármore

Pouco nos importa, além do que era posse
Sobrou de mim um livro lido
De você, um desejo de sorte

Sabe aquele corte?
Passou, remediei com soro e gaze
Sabe aquela frase, que você gostou?
Eu guardei com tudo que sobrou

O que não passa mesmo é a gramática
Quando eu falo de pronome possessivo
E você usa livre como adjetivo
Nessa nossa errante temática

Vai ver foi sem querer
Que a gente não deixou de gostar
Nos apertamos num encaixe de ter
Para esconder em qualquer lugar o dar

Vai lá e sorri na cara dele a beleza que não soube extrair
Que eu vou ali,
desmedir o beijo que sempre foi seu

Abraça-o tão forte, mas sem mentir
Que eu vou ali,
dar o meu amor como se não tivesse conhecido o seu

A culpa é mesmo do nosso português,
pois o eu não combina com você
Mesmo que você, combine com aquilo que era meu

18.2.14

Não

Seu não, tem direção
É aquela placa de atenção,
é a curva no meu caminho

É o abismo no deserto,
É meu destino,
Incerto

Ser for não

12.2.14

Em um só, tantos de mim

Há algo em mim que desperta
Há algo em mim que silência
Há algo em mim que fere
Há algo em mim ferido

Há, há sim!

Há algo em mim que sorri
Há algo em mim que chora
Há algo em mim tão ambíguo
Que sua existência revela seu inverso

Há em mim algo
Há em mim vazio

Há em mim,
Que ao existir
Não há

por haver tantos,

Em um só,
Tantos de mim

7.2.14

Recomeços

Esbarro nos meus recomeços
Infinitos de mim mesmo
Tardo, confuso, falho

E lá vou eu
Desgarrando de tantos meus
Juntar novos achados
Atar novos laços

Para não ter de recomeçar
Por mais um breve espaço

Atração

Imaginando-nos como uma força que move o nosso redor,
modificando-o pelo que se é,
Quando se sai, o meio todo se revela
As aproximações, não reagem por efeito impositivo,
São as mesmas exercendo a mesma foça,
Apenas agora, não sofrem a ação da sua energia
Logo, tudo tende ao que era, como um reagrupamento natural,
mostrando somente o que realmente somos
E aquilo que lhe atrai, lhe revela

Vivos


…Acima de qualquer coisa, supere-se! Supere não somente a isso, mas a escravidão do pensamento que se acostuma com o abater-se, com os nossos pedaços. Una-os, erga-se…

Não é a morte o limite da vida e sim da nossa ignorância. Não é a dor o limite do sentir, e sim o não sentir o limite de sentir dor.

E até que qualquer pior que se imagine chegue, tenha nos dias os apelos da ignorância: viva-os como se tudo fosse saudável, como se não se fosse nunca, como se não sofrera de nada.

E não imagine isso como uma mentira, pois podemos ferir o corpo, agredir o físico, mas jamais fragmentar a alma. E essa alma ainda está ai, tão viva quanto a qualquer um de nós.
Não se prenda ao tempo, ao que dirá qualquer quadro. Faça uso do que puder para amparo, mas não tome tudo como verdade. E viva, viva, viva.

Ao destino, ao que vier a acontecer, dê sua ignorância de todo o coração.

12.6.13

Sorte

Sorte dos amantes, que têm nos travesseiros dedos entrelaçados
Sorte dos amados, que têm na distância dos desagrados, saudade
de uma certeza singular
Sorte daquele amor, que sendo amado, sabe-se morno e preso à rotina,
ensolarado pela repetida presença
Sorte dos amantes, que não sonhando, vivem, como se dormissem a vida
Sorte daqueles amados, que tendo a quem amam, mesmo sem o sorriso sorrindo,
são amados amantes
Sorte dos amantes
Amados

21.5.13

Ponto Final


Me perguntaram certa vez.
- Como se desmancha um ponto final? Rabiscando?

- Não! - respondi.
- Acrescente mais dois pontos.

5.3.13

Fraguimentos

Aquele que tu guardas em teu colo encontra-se com os anjos.
--
Me rouba, sentir e alma e fico nu de mim na sua ausência.
--
Deixe-me ser a sua fuga, a sua incerteza segura, sua insegurança perfeita.
--
Posso desejar o seu impulso feminino, a sua insanidade permissiva, um vulcão de prazer em elo sedento de ousadia!
--
Com a sorte, com a noite em meio as ruas, andarilho de costume.
--
E um dia percebe-se que as palavras jamais perdem sua vida e diminuí-las em valor, é o mesmo que nunca tê-las sabido ler.
--
E sendo eu escritor, desses impulsos de alma, jamais deixarei de viver suas intensas armadilhas, uma delas, o amor, esse da paixão do desejo, a do amor de amar.
--
Que sua viagem seja sempre seu abrigo e que sua morada, não passe de seus pés.
--
Sei que a perdi, mas quem sabe um dia, o amor vença ao tempo, o sonho vença a realidade ignorante que joga a mentira sempre, de que nada é pra sempre!
--
Se teme por guiar tuas próprias pernas, não reclame da viagem, no cavalgar de teus medos!
--
Do pecado da carne, conheço quase todos, dos tropeços da mente vazia à liberdade.
...em meu próprio escrever, nesse vulgar homem que profana o ver, na escrita fria que nada fala...
--
A alma é uma montanha, sua erosão ocorre pelas lágrimas de teus olhos e pelo vento de teus medos, a esculpes pelas tuas emoções.
--
...os teus cabelos soltos são o mais belo apelo dos nós que nasceriam dos meus dedos...
--
Será que sou egoísta em me entregar a você, só para ter você pra mim?
--
...ainda lembro de tardes inteiras ao seu lado, essas que nunca tive, tão mais lindas...
--
Morro mais, não quando me matas em ti, mas quando me mutilo, por não poder ser.
--
Me desconstruindo só pra ver "enquantos" pedaços você está.
--
À minha beira, quando me procurares, deixe-me tuas rosas, é o presente dos mortos.
--
Não me encontro no seu tempo verbal, não sei se sou passado, futuro ou presente.
--
Só quem conhece o gosto da solidão, percebe o doce que há no amargo de cada companhia.
--
Ah o amor!... esse menino brincalhão que corre com o coração na mão fazendo arte e a gente feito velho gritando cuidado.
--
Qualquer dia desse eu morro! Assim bem devagar, um pouco no passar de cada hora.
--
Aquele que não sabe lidar com o fim não pode entender o que é eterno.
--
A felicidade se permite à tristes batalhas para que a tristeza não a corrompa por inteira.
--
O difícil é seduzir o barco à segurança do porto, justo para aquele que já se acostumou com as tempestades.

27.12.12

Vai saudade!


Vai saudade!
Diz pra ela, que ela é quem faz você ser
sempre mais doce…

Que só por ela vale viver em latência,
Sem jamais ser morta,
Sem jamais deixar de ser saudade…

Direção

Perdoar-se também é preciso, a força que precisamos ter para seguir um determinado caminho, precisa ser ganha, muitas vezes, estando exatamente por mais tempo na direção contrária.

16.8.12

19.6.12

Vendido ao tempo

Sabes forçar à porta?
Como quem insistes por entrar?
Uma coisa de certeza?

Sabes?
Não sou eu quem te pergunto,
Mas à minha mão, que pergunta a porta
Certa do que diz de fato!

E então me pergunto,
Se a fala é de fato o que traduz a verdade
Essa coisa imediata, do presente
Se perguntas-me, tu porta, à mão

De certeza e a certeza, a si mesma?
Autônoma, solitária, perfeita
Petrificada em verdade.

Ora,

Me dizes agora, porta?
Após resposta da minha mão,
Qual de nós não mente, se à certeza é dado o véu
Essa coisa advir
E  não é dele o doce de deixar de ser?...

Abra-a, mão!
Forte ímpeto do agora,
Que já não sou mais passado,
Me revelo futuro fotografado

De qual segredo somos feitos
Que abrimos e nos fixamos
Na porta aberta da imprecisão do tempo?

Batida

Me dê o doce da solidão,
Enquanto eu tempero o agora com vazios
Misturando lembrança de nós dois
Com açúcar e limão
Uma batida amarga, como se bebe a dois
Enquanto só penso em silêncio
Sozinho em casa
Mesmo com gente na sala
O mais sujo exílio
Nessa solitária de mim mesmo

14.6.12

Bate-papo

Converso comigo, como amigo intimo, a princípio
O faço, por uma convivência, entre o pensamento e o pensante
Ardo trabalho
... a convivência!

Espera!
Desça da escada da vaidade, se te leio
Também, eu?!

Sou pensamento de mim mesmo!

E pasme, tu que finges não me ler

Sou eu falando comigo
Não ocorre o mesmo com você?

... por último
me repito, poesia e poeta,
para fazer do diálogo
um pouco mais doce,
do recanto que criei, para receber a mente
E um pouco de nós dois



29.5.12

Insônia


O seu até breve é sol na minha noite,
é o que não me deixa dormir, é minha insônia.

Meu temor não é sua presença, sua cara de raiva,
nem minhas efêmeras dúvidas que te causam medo
Ou sua face de repulsa,

Meu temor, é o teu invisível,
É o cerco do teu perigo pela minha urgência em salvar-te,
Meu temor é a distância que dissipa o presente, ou desamarra o passado

O teu até breve,
É faca na minha certeza do corpo descrito,
Fincado em você

Até logo não!
Pois o amanhã é distante e o logo não existe!

Feche os olhos e me beije a boca dos sonhos
É onde costumo vingar, plantado no agora,
Eternizado no presente,
Petrificado na necessidade viva,
não de que me viva,

Mas que me saiba vigilante de nós,
Ainda que durmamos muitas vezes
E nesses dias, ainda zelo por teu sono
Pois eu sofro de insônia

30.4.12

Imoral

É bem verdade, a covardia é o meu pior defeito
É a minha qualidade mais humana
Ali, tão irresistivelmente exposto
Covardemente vestido de homem e louco
A poesia de Bukowski, compartilharia minha lama
Defeituoso, torto, ou fraco

Me fale então, a Tua perfeição
Pergunto a Ti, que de tamanho ou benevolência
Me ardiria na alma a dor.

Se do homem ficar por fim, o caráter,
O que falam em tua ausência?
Os meus segredos são profanos
E meu nome uma mordaça

Não desenho o acaso, escrevo a lápis a vida
E o grafite que grava, tem ponta fina
Corta e fura, o papel apenas rasga
Gravo minha falta

Do que vale a minha sorte dada?
Qual dos homens passará por Sua entrada?
Sempre acho que Deus guarda um pouco de vingança e graça

A coragem de ser o que sou,
A poesia não salva
Drummond eterniza, outro rasga

De qual dos meus defeitos o amor se disfarça?

Hoje te faço palavras
Te rabisco no vento
Me julguem os ruins, os que cometem maldade

Não os bons, que cultivam o bem e não entendem
Afinal, deve haver um motivo para anjos terem asas

13.3.12

Inflamável


Estar com você é sempre como brincar com fogo,
sabendo que existe um barril de pólvora no peito…

28.9.11

Conchas na areia

Quando for falar à poesia
Cito os meus murmúrios de respeito
Assino tudo com meu nome, para que tenham a quem culpar
Mas escrevo com letras de sereno
Que colhi no mar da vida

Como a quem recolhe conchas na areia
Brinquei de escolher gente, pessoa mesmo
Com certa irreverência, pois de todos sobrara apenas eu
Mas esse eu de ignorante, pois ainda sei-me burro de mim

E fui 'ajuntar' sem medo, alguns quase amigos
Esses que na hora certa em que a onda chega a praia
Estão à areia com você

Sempre mora mais em mim
Palavras frescas, dessas ainda molhadas de água salgada
Assumo, vezes algumas as colho em rios, então...
Minto se digo que não há doce preso em minhas conchas líricas

Colhi tudo no mar da vida
Ainda que não entenda esse baú de coisa sem preço
Meu apreço é dessa coisa toda dividida
Afinal escrever moço, é 'ajuntar' a sua língua embaralhada

De um dicionário sortido
Ou desse dividir íntimo de encontrar uma letra
No abismo de um 'A'...prolongue-o (aaaaa)!
Ou no suspiro de um U... esse de quase mesmo, (uuuu)!

Mas junta os 'pedaço' e vê se não sai,
Torcendo como pano velho, essa coisa de passado
Esse trapo molhado
Pra ver se não pinga

Amigos de hora vivida
Presentes para dividir o estouro da chegada
Da onda na praia,
Como um 'u' ou um 'a' que a gente encontra
Da palavra dividida
Eles a fração de Deus
Para Deus não se fazer mentira, nessa precisão
De métrica e companhia

27.9.11

De olhos fechados

Me leia com os olhos fechados.
Somos todos iguais aqui nessa casa de portas vedadas,
onde sós e nus,
nos vemos mais que no espelho do outro que nos lê.

19.9.11

Fotografia

Escrever é como fotografar com os olhos alheios,
é permitir o enquadramento pelo outro,
é deixar a composição em outras mãos, ou interpretações.

É de fato se fazer retrato em ação, ali paralisado
na face de quem agora só me lê fotografia.

Nunca temi morar em nenhuma retina, tampouco me negarei
a enfeitar móveis com passado.

Molduras ciliares me encerram.

29.8.11

Escalada

Quem disse que é normal ser normal?
E que vamos de alguma forma conseguir algo,
seguindo o que os outros falam ou sentem?

Na maior parte do tempo estamos fazendo escolhas,
sem nem sequer conhecermos as consequências.
Atiramos o dado do destino só por um segundo e tudo muda!

Insistimos que tudo deveria parar e ser.

Mas se então se faz, a monotonia é inevitável.
Vem o desconforto e lá vamos nós, para um desembaraço
de sorrisos e lágrimas.

Até que percebemos que o fundamental não é isso?

É podermos mesmo rir, de felicidade e vontade, até doer a bochecha
Assim bem largo e forte a ponto de contagiar a todos!

O mesmo não vale para o choro?

Bom é chorar e de verdade, como se fosse o último,
Como se tivesse sido esquecido, num guarda volumes por alguém,
que nem vem te buscar!
Numa rodoviária distante, sozinho...

chorar de soluço, senão não tem graça, não vale, é fingimento.

Não é uma beira de abismo o que precisamos sempre?

Pulamos e escalamos a montanha, hoje sorrio no salto
Amanhã me lanço de tédio, depois subo como conquista
Volto sempre!

Mas, a vida não é sempre isso? (...)
A vida é não parar e a gente acha que sempre busca felicidade.

Quando na verdade...

A gente busca mesmo é passar mais tempo calmo,
mais tranquilo, apreciando a vista da montanha que subimos.

23.5.11

Quebra-cabeça

Hei isso aqui não é receita, tampouco tem sentido as críticas,
E não faz a menor diferença saber escrever.
Isso aqui é vida, a gente rabisca ali, para ler lá e depois
achar que entendeu às avessas e escrever de novo, mas agora tudo diferente.

Nada aqui está acima ou abaixo do mal ou em busca da razão acima de todas
que derrube todos os verbos com a verdade da sabedoria, isso é mentira.
Se nossa escrita tem por consequência falar aos nossos ouvidos o caminho
de entendimento de nós mesmos, oras se vê-se quebra-cabeça desmontado
falará das peças e não dá obra.

O que penso é que há um céu em uma peça que o componha, infinita quanto o todo,
logo dela falaria das nuvens como se o céu todo fervesse nela, não?

E de quem não é a dor de toda alegria e de quem não é a alegria de toda dor?
Somos essa repetição e quais as palavras que nunca foram ditas?

Somos mesmisses, exclamações, choros, indagações, somos esse coletivo desajustado,
mas a busca não é por alinhá-los ou correspondê-los, é senão por harmonizá-los,
fazer com que as pernas e os passos sigam uma direção coerente com o que
reflete no pensamento.

Boa caminhada, não na escrita, mas nas atitudes, a gente também mente
para nós mesmos e tudo o que penso é que ainda assim a ignorância não só evidência
o tão pouco que sabemos, como é ela que rege o todo pelo qual nos apaixonamos.

A verdade e a certeza, são armas contra o épico de viver!