Parei naquele momento em que a folha caia
Segundo a segundo, dançando nos braços dele
Pensei que nas suas hastes haveriam mãos
E pude vê-lo segurando-a com jeito leve
Movia-se de lá para cá, caindo
Sua pele bronzeada do tempo
Cor de coisa seca, antiga
Foi então que pensei
O tempo que ele a esperou por este segundo
Eu testemunha
Da folha
Enamorada pelo paciente
Que a esperou cair em dias enormes
Fez turbilhão para tê-la em seus braços
E nada, mas chegara a vez
A vez do destino, própriamente
E o acaso me deu o tempo
Eu ví a folha
Que enamorada pelo vento
Pousou o chão
Há quem diga, que vale a vida
Esperar por um só dia
De amor puro
Disse o vento ao deixá-la em vão
Alguns guardados, rascunhos, pedaços... Achados em um ermo porto, do outro lado, lá onde a carne não abriga espaço. Faz-se alma e escreve pela perturbada mente, que mente. Escreve-se aqui, o presente passado. O passado em presente.
17.8.10
O que somos
Às vezes temo ser parte daquele amor
que nasceu só para se ter conhecimento do tamanho e da força.
Que existe na distância, na solidão,
no frio e na dor
Mas jamais na realidade dos fatos
Do tocar, do sentir...
Um amor que vive de platonismo,
como duas estátuas que se olham no jardim da eternidade.
Nessas horas é quando morro na nossa história.
Em um final de filme...
Onde o lago é lindo e cada um olha de um lado, o reflexo do outro.
Só você me mata e me faz renascer.
Hoje sei porque acordei para morrer.
Agora faz sentido.
Nunca mais fui eu somente.
Eu só existo por você.
_____________________________
Escrito por Roberta Carvalho / Raphael Neves
que nasceu só para se ter conhecimento do tamanho e da força.
Que existe na distância, na solidão,
no frio e na dor
Mas jamais na realidade dos fatos
Do tocar, do sentir...
Um amor que vive de platonismo,
como duas estátuas que se olham no jardim da eternidade.
Nessas horas é quando morro na nossa história.
Em um final de filme...
Onde o lago é lindo e cada um olha de um lado, o reflexo do outro.
Só você me mata e me faz renascer.
Hoje sei porque acordei para morrer.
Agora faz sentido.
Nunca mais fui eu somente.
Eu só existo por você.
_____________________________
Escrito por Roberta Carvalho / Raphael Neves
6.8.10
90 anos
Aos noventa anos, quando fiz
Dei-me o prazer dos trinta
Aquela sedução acentuada pela aventura
Me lembro dos pedidos frente ao novo ano
Quis o mundo todo, numa golada só
Só que agora assim, de jeito estranho
Nada do peso e compromisso da vida dos adultos
Eu podia ser jovem, como criança à beira dos dezoito
Podia ser, só por ter noventa anos
Me dei a idade, calei os lamentos do corpo
Por saber que a mente é essa fogueira acesa
Incessante
E lá no sofá da sala
Decidi,
Trinta anos!
E nunca mais envelheci.
Dei-me o prazer dos trinta
Aquela sedução acentuada pela aventura
Me lembro dos pedidos frente ao novo ano
Quis o mundo todo, numa golada só
Só que agora assim, de jeito estranho
Nada do peso e compromisso da vida dos adultos
Eu podia ser jovem, como criança à beira dos dezoito
Podia ser, só por ter noventa anos
Me dei a idade, calei os lamentos do corpo
Por saber que a mente é essa fogueira acesa
Incessante
E lá no sofá da sala
Decidi,
Trinta anos!
E nunca mais envelheci.
7.7.10
Minha estação
Qualquer planta se desprende das flores,
se queima ao sol até nascerem novos ramos.
Aceite, um dia venta e muda toda a cor dos galhos,
afinal existem as estações.
O maior problema é que a minha é sempre primavera
quando te vejo.
se queima ao sol até nascerem novos ramos.
Aceite, um dia venta e muda toda a cor dos galhos,
afinal existem as estações.
O maior problema é que a minha é sempre primavera
quando te vejo.
30.6.10
Sem nós
Vou te bebendo com os olhos
Vou tateando sua narrativa
Por motivos que a vida revelou
Vou dando sentido a achados tortos
Encontrando você em sua tinta
Devorando as lembranças que deixou
E a vontade me adentra até os ossos
Me percorre vadia
Nesse desatino de quem já amou
A pálidez da minha calma que enfeia meu ócio
Vem desse interim, se é, será ou seria
Do colo abrigo, do amor amigo, que não passou
E antes que me torne fóssil
Incrustado no seu passado, sem vida
Ouça do meu amor o clamor
Pois sem você sou foto
Com você sou coração, beijo, saliva
Sem nós, não sou
Sou ser, sem ser
Vou tateando sua narrativa
Por motivos que a vida revelou
Vou dando sentido a achados tortos
Encontrando você em sua tinta
Devorando as lembranças que deixou
E a vontade me adentra até os ossos
Me percorre vadia
Nesse desatino de quem já amou
A pálidez da minha calma que enfeia meu ócio
Vem desse interim, se é, será ou seria
Do colo abrigo, do amor amigo, que não passou
E antes que me torne fóssil
Incrustado no seu passado, sem vida
Ouça do meu amor o clamor
Pois sem você sou foto
Com você sou coração, beijo, saliva
Sem nós, não sou
Sou ser, sem ser
10.6.10
Uma poesia escrita em silêncio, só o título
-
-
-
-
-
-
-
-
FIM_____________________
Sua visita é sopro no meu silêncio!
Você me bagunça e o que estava certo em não ser
toma forma!
E nasce ao inverso
O verso
Do que não era para ser
Sendo silêncio
31.5.10
Depois de ser
digo da boca já viajada
que irá em breve ainda que demore
o tempo não se conta pra quem vive de poesia e conto
e antes que se despeça de mim, terás tido o meu todo
dormido com meu cheiro e provado do meu calor
e quando assim quiser, a estrada
estar nela como despedida
me terás, não no que fui presente
mas na saudade cultivada
antes da visita da boca viajada
que irá em breve ainda que demore
o tempo não se conta pra quem vive de poesia e conto
e antes que se despeça de mim, terás tido o meu todo
dormido com meu cheiro e provado do meu calor
e quando assim quiser, a estrada
estar nela como despedida
me terás, não no que fui presente
mas na saudade cultivada
antes da visita da boca viajada
28.5.10
Inesperado
Às vezes me sinto menino
Me sento no precipício da vidaMe mimo,
Choro no cume da mentira
É lágrima que escorre na brecha!
Entre o coração e a alma
encontra-se a folga dos olhos.
Escorrega.
Pinta e enfeita a dor.
Acaricia a pele fina
É água,
chuva,
é carinho de pai, mãe.
É de Deus a mão
torneia meus lábios
Tem gosto de solidão
Ela cai sozinha por sobre meu queixo
Segue a ribanceira da minha face,
enquanto me cerco de montanhas
É ela quem se atira primeiro
Do penhasco de minha moradia
Enquanto permaneço sentado
À beira de tudo que crio
Meu mundo de argila
barro, pedra e areia
É quase tudo fantasia
E eu aqui molhando os olhos
Esperando pelo inesperado.
24.5.10
Desfiladeiro
Será teu silêncio o escudo que tanto profana?
Será teu escudo, tua defesa, que revela tua voz
silenciada por teus medos?!
Será então, o teu temor à tua voz, e o teu
tremor a tua forma de sentir-me?
Não peques em esconder-se, peques por ousar.
Há mais aventura no erro que na captura muda,
sem o desfiladeiro empueirado do teu corpo
em queda livre!
Será teu escudo, tua defesa, que revela tua voz
silenciada por teus medos?!
Será então, o teu temor à tua voz, e o teu
tremor a tua forma de sentir-me?
Não peques em esconder-se, peques por ousar.
Há mais aventura no erro que na captura muda,
sem o desfiladeiro empueirado do teu corpo
em queda livre!
19.5.10
Depois de morto
Qualquer dia vou vestir a minha alma de um extremista qualquer
lhe colocar uma cintura de bombas, engatilhada pelo meu dedo de carne e osso
e mandar ela pro inferno, assim bem suicida
e quando não quiser mais, além de mim, levarei tudo aos ares
Isso mesmo, minha alma explodirei!
E depois, juntados os meus cacos, me recolher
só pra saber se depois de morto alguma coisa aprenderei.
lhe colocar uma cintura de bombas, engatilhada pelo meu dedo de carne e osso
e mandar ela pro inferno, assim bem suicida
e quando não quiser mais, além de mim, levarei tudo aos ares
Isso mesmo, minha alma explodirei!
E depois, juntados os meus cacos, me recolher
só pra saber se depois de morto alguma coisa aprenderei.
4.5.10
Copo de vidro
Quando sou eu...
Sou tão mesmisse, que quando me rouba é como uma criança,
Que pega um copo de vidro e o taca no chão e ri,
Por que, agora, de um ela fez diversos
________________________________
Quando me vejo escrito
Sou mesmisse, essa repetição que já conheço
Quando me roubas, me recrias, me inventas
Sorrio, ao encontrar-me
Como uma criança, ao lançar um copo ao chão
Não por quebrá-lo, mas por fazê-lo em muitos
Sou tão mesmisse, que quando me rouba é como uma criança,
Que pega um copo de vidro e o taca no chão e ri,
Por que, agora, de um ela fez diversos
________________________________
Quando me vejo escrito
Sou mesmisse, essa repetição que já conheço
Quando me roubas, me recrias, me inventas
Sorrio, ao encontrar-me
Como uma criança, ao lançar um copo ao chão
Não por quebrá-lo, mas por fazê-lo em muitos
Há outro(a)
E seu beijo era doce
sua loucura, era meu torpor
era seu braço meu acalanto
seu nome meu encanto
sua boca então fez-se faca
arma branca sim
enterrando-se em outra que não minha
cortara o peito meu
esse braço que me abraça
é meu sagrado manto
castiga-me com as chicotadas dos dedos leves
e me arranca o sono com a textura
do lodo, sujo, de outro corpo
e quando me tomas, meu corpo
que não pertence a mim e nem o seu que é meu
somam-se, há um impulso
esse de carne, parece haver sangue e dor
e bebo esse fél na fonte de sua miséria
e tudo o que tenho é o resto do que não querem
meu exílio é ser sombra de mim,
na pena de mim mesmo
morro sempre que volto a ser seu
e hoje, encarno um corpo novo
o que me visita, e me encanta
por não ser você,
enquanto visto-me de algoz
na armadura feita por suas vãs atitudes
e assim, tomo o corpo que se entrega
e dormimos como cumplices
e te verei à noite, para comemorarmos
a morte de nós mesmos.
sua loucura, era meu torpor
era seu braço meu acalanto
seu nome meu encanto
sua boca então fez-se faca
arma branca sim
enterrando-se em outra que não minha
cortara o peito meu
esse braço que me abraça
é meu sagrado manto
castiga-me com as chicotadas dos dedos leves
e me arranca o sono com a textura
do lodo, sujo, de outro corpo
e quando me tomas, meu corpo
que não pertence a mim e nem o seu que é meu
somam-se, há um impulso
esse de carne, parece haver sangue e dor
e bebo esse fél na fonte de sua miséria
e tudo o que tenho é o resto do que não querem
meu exílio é ser sombra de mim,
na pena de mim mesmo
morro sempre que volto a ser seu
e hoje, encarno um corpo novo
o que me visita, e me encanta
por não ser você,
enquanto visto-me de algoz
na armadura feita por suas vãs atitudes
e assim, tomo o corpo que se entrega
e dormimos como cumplices
e te verei à noite, para comemorarmos
a morte de nós mesmos.
14.4.10
Folhas
Só porque é mulher madura, é fruto, mas é árvore
É doce, mas é ainda flor, folha e dança em vento forte
Enquanto me amparo na sua sombra, me abraço a seu corpo
Me escondo e você, só deixa cair as folhas
20.3.10
A sós
Na sua própria escravidão
O homem vai pelo seu caminho desenhado
E o destino não é mais que, ao normal, desdenho
Sujeito homem, que se veste de pele
E lá pelas tantas, aponta suas diferenças
Tão iguais, revestindo sempre a pobre caveira
Dos fortes e sábios, a ignorância é um apetite
Soberbos homens primatas
Antes saber não existisse e que fadas são encantadas
E assim, homem, tu tomas as fábulas
O medo, sempre uma grande caixa
E tu e eu, somos por quem senão nós?
O egoísmo engole da dor, cada sinônimo, palavra por palavra
E não reconhece o eu que guarda
Tão distante, da distância da solução
que a vida lhe bomba no peito, lhe infla o balão
Se não fosse, porque um coração?
E o homem que reconheço, se perde pelo medo certo da morte
Covarde que se inflama e se despede do mundo
Pois o tempo que lhe guarda segredos, já fala em razão
Que de certo é a morte
E a sede, o desejo da vida
Viver sem ter ninguém, para não escolher a quem
E ser do mundo, para tomar pela saliva
O gosto da noite e degustar até o dia
Preso no peito, assim, grita
O que ficou de lado, no ser embaraçado
Lá nas ranhuras, do pretérito imperfeito
- Que amar, não é defeito!
E se por um, que invada a todos
Porquê, se lhe veste a veemência
A presença é controversa
No tempo em que gira tudo
Já corroemos o absurdo da clareza
Vivamos a sós, onde só tenhamos nós
Eus tão miseráveis de mins
Como gafanhatos devorando jardins
O homem vai pelo seu caminho desenhado
E o destino não é mais que, ao normal, desdenho
Sujeito homem, que se veste de pele
E lá pelas tantas, aponta suas diferenças
Tão iguais, revestindo sempre a pobre caveira
Dos fortes e sábios, a ignorância é um apetite
Soberbos homens primatas
Antes saber não existisse e que fadas são encantadas
E assim, homem, tu tomas as fábulas
O medo, sempre uma grande caixa
E tu e eu, somos por quem senão nós?
O egoísmo engole da dor, cada sinônimo, palavra por palavra
E não reconhece o eu que guarda
Tão distante, da distância da solução
que a vida lhe bomba no peito, lhe infla o balão
Se não fosse, porque um coração?
E o homem que reconheço, se perde pelo medo certo da morte
Covarde que se inflama e se despede do mundo
Pois o tempo que lhe guarda segredos, já fala em razão
Que de certo é a morte
E a sede, o desejo da vida
Viver sem ter ninguém, para não escolher a quem
E ser do mundo, para tomar pela saliva
O gosto da noite e degustar até o dia
Preso no peito, assim, grita
O que ficou de lado, no ser embaraçado
Lá nas ranhuras, do pretérito imperfeito
- Que amar, não é defeito!
E se por um, que invada a todos
Porquê, se lhe veste a veemência
A presença é controversa
No tempo em que gira tudo
Já corroemos o absurdo da clareza
Vivamos a sós, onde só tenhamos nós
Eus tão miseráveis de mins
Como gafanhatos devorando jardins
16.3.10
Se sim...
Qual a loucura do homem que diz não?
Ela seu sonho, esse pensar inato
O convite é para vida, pro amor
E sua rotina esse desbarato, moleque feito de dor
A diferença do encanto
com o chapéu debruçado à porta,
ao quebrar à força o portão,
E quem não vive o disparate acelerado de um coração?
Me diz, a quem não adoça a paixão?
E do beijo que leva, esse sem ter sido dado
Mas devo agora, a um pirata qualquer, umas mil quantias de puro ouro
só por não ter praticado o roubo
Minha tortura navegante, carrega minha boca
Pra qual rumo vai meu entrelaço
Vadio o meu pensar, agora deixa passos na grama
Um jardim qualquer na memória de criança
E o voo do pássaro, sempre será o que fica de mais lindo
Deve ser então, louco aquele que diz sim, não?
Ter sua alma brevemente roubada ali, bem na roda do mundo
ou o desacordo dos braços, numa busca por espaço
Deveras fosse ela mulher, mas sempre despe-se feito paixão
Jardineiro das letras, palavra plantada, virá verbo
Teus olhos não me veem
Mal-falados versos imprórios, censurados pela razão
A tormenta do louco, delírio do são
Podem me falar, que se fosse sim pra sempre
pra sempre, não teria fim
Ela seu sonho, esse pensar inato
O convite é para vida, pro amor
E sua rotina esse desbarato, moleque feito de dor
A diferença do encanto
com o chapéu debruçado à porta,
ao quebrar à força o portão,
E quem não vive o disparate acelerado de um coração?
Me diz, a quem não adoça a paixão?
E do beijo que leva, esse sem ter sido dado
Mas devo agora, a um pirata qualquer, umas mil quantias de puro ouro
só por não ter praticado o roubo
Minha tortura navegante, carrega minha boca
Pra qual rumo vai meu entrelaço
Vadio o meu pensar, agora deixa passos na grama
Um jardim qualquer na memória de criança
E o voo do pássaro, sempre será o que fica de mais lindo
Deve ser então, louco aquele que diz sim, não?
Ter sua alma brevemente roubada ali, bem na roda do mundo
ou o desacordo dos braços, numa busca por espaço
Deveras fosse ela mulher, mas sempre despe-se feito paixão
Jardineiro das letras, palavra plantada, virá verbo
Teus olhos não me veem
Mal-falados versos imprórios, censurados pela razão
A tormenta do louco, delírio do são
Podem me falar, que se fosse sim pra sempre
pra sempre, não teria fim
18.2.10
A festa de ser
Da vida que levo, só sei do inverso
Do que não foi, invento pra criar conceitos
Do que sou, um pedaço que você deixou
Esse sem ver, que tomo sem merecer
Do carnaval deixo a máscara, o chapéu
Da festa, o confete a serpentina, desenrolados, largados
Mas no instante, não no chão
No ápice da festa, levados pelo vento
O movimento, a explosão
O canto da multidão
Sou do malandro a ginga
Do corpo a expressão
A intensidade musicada
A alegria de quem vence, o choro do perdedor
A intensidade, sem nome, raça ou cor
Do que não foi, invento pra criar conceitos
Do que sou, um pedaço que você deixou
Esse sem ver, que tomo sem merecer
Do carnaval deixo a máscara, o chapéu
Da festa, o confete a serpentina, desenrolados, largados
Mas no instante, não no chão
No ápice da festa, levados pelo vento
O movimento, a explosão
O canto da multidão
Sou do malandro a ginga
Do corpo a expressão
A intensidade musicada
A alegria de quem vence, o choro do perdedor
A intensidade, sem nome, raça ou cor
16.12.09
Calunia
Eu vou escrevendo os meus borrados
meias verdades, exíladas da memória
sem pretextos, violões artesanais
é vivacidade literária, esse que, à frase dita
da pura verdade anunciada
ainda que a calunia, seja minha visita
a primeira, na manhã que se aproxima.
irá gritar seu nome, com minha ira
enquanto me desprendo da palavra escrita
nem é meu, é dito
verbo engolido, esse Não rebuscado
que me lança à boca, para engolir amargo
enquanto a vida chega de mansinho, tocando cordas de aço
vibrando seu cochicho, enganando o acaso
para encontrar olhares com o sol
suspender as aves, como se fossem papel
virando o girassol
levando as nuvens ao léu
cantando promessas vivas
adormecendo a minha fome, clareando teus olhos
me fiz infame, por sentimentos tortos
esfarelei a melancolia, disfarçando lama, moldando argila
para ver o crepúsculo do meu muro
nas rimas de suas sílabas
meias verdades, exíladas da memória
sem pretextos, violões artesanais
é vivacidade literária, esse que, à frase dita
da pura verdade anunciada
ainda que a calunia, seja minha visita
a primeira, na manhã que se aproxima.
irá gritar seu nome, com minha ira
enquanto me desprendo da palavra escrita
nem é meu, é dito
verbo engolido, esse Não rebuscado
que me lança à boca, para engolir amargo
enquanto a vida chega de mansinho, tocando cordas de aço
vibrando seu cochicho, enganando o acaso
para encontrar olhares com o sol
suspender as aves, como se fossem papel
virando o girassol
levando as nuvens ao léu
cantando promessas vivas
adormecendo a minha fome, clareando teus olhos
me fiz infame, por sentimentos tortos
esfarelei a melancolia, disfarçando lama, moldando argila
para ver o crepúsculo do meu muro
nas rimas de suas sílabas
9.12.09
Chuva e vento
Ventania de sonhos
soprando segredos
esperando as correntes do norte
inflando veleiros
o ar que chega de longe
vem quente do Sul
abraça teu corpo
te veste de azul
dançará
teus passos
a chuva fina
que beija o vento
em teu dançar?
costeando a terra
no meio do verde do mar
barco perdido
em curvas e fio
é beijo de chuva
com gosto de vento
na pele do sol
tempestade e relento
conto da brisa
virando farol
querendo tormentas
procurando tua ilha
palavras cheias
tornados de amor
tornando passáro
água e calor
soprando segredos
esperando as correntes do norte
inflando veleiros
o ar que chega de longe
vem quente do Sul
abraça teu corpo
te veste de azul
dançará
teus passos
a chuva fina
que beija o vento
em teu dançar?
costeando a terra
no meio do verde do mar
barco perdido
em curvas e fio
é beijo de chuva
com gosto de vento
na pele do sol
tempestade e relento
conto da brisa
virando farol
querendo tormentas
procurando tua ilha
palavras cheias
tornados de amor
tornando passáro
água e calor
7.12.09
Quem sabe?
Quem sabe não era para ser assim.
Quem sabe se não é para ser assim mesmo?
Quem sabe não conta,
mas sorri de meu presente aprisionado
Dos dias atordoados, por cada texto que não finda!
Quem sabe, silência
cada oração que surge, morta, pois lhe arranca o verbo
Quem sabe, degusta de meu desejo em sargeta!
Não se pronuncia e nem alivia,
Derrama em minha vida, a ignorância revelada
que lhe arde, e ardeu, no dia em que falou quem sabe,
Que assim era pra ser.
Quem sabe se não é para ser assim mesmo?
Quem sabe não conta,
mas sorri de meu presente aprisionado
Dos dias atordoados, por cada texto que não finda!
Quem sabe, silência
cada oração que surge, morta, pois lhe arranca o verbo
Quem sabe, degusta de meu desejo em sargeta!
Não se pronuncia e nem alivia,
Derrama em minha vida, a ignorância revelada
que lhe arde, e ardeu, no dia em que falou quem sabe,
Que assim era pra ser.
6.11.09
Lua
E seus olhos me cegam
Sua voz me emudece
Atropelo o tempo
Na pressa dos anseios
Vivê-la em um dia apenas
E nos outros, sem mais
Advir tempo,
Paz?
E que brote no clarear da noite
na face escura da Lua
que não se vê daqui
E em seu dançar, víl
que vire-se a minha mancha
gravada sem rima
Meu folclórico poema
Minha tardia, certeza
De que assim
Assim, me veja!
Sua voz me emudece
Atropelo o tempo
Na pressa dos anseios
Vivê-la em um dia apenas
E nos outros, sem mais
Advir tempo,
Paz?
E que brote no clarear da noite
na face escura da Lua
que não se vê daqui
E em seu dançar, víl
que vire-se a minha mancha
gravada sem rima
Meu folclórico poema
Minha tardia, certeza
De que assim
Assim, me veja!
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