16.6.16

Feito canela

Essa menina de alma leve
Dança no vento
Desafia o eterno em seu passo breve
Laça o querer em seu próprio tempo

Bailarina da liberdade
Não sei se gira ela
Ou gira o mundo,
No redemoinho de sua afinidade

Aprisiona a beleza em si
ou a beleza lhe doa os olhos
de quem a sabe definir?

é verso solto
sem rima ou contorno

ela é fotografia

12.6.16

Melancolia

E quando testemunho seu sorriso
Há algo em mim que sorri alegria
Nesse absoluto luto, fictício
Que chora uma eterna melancolia

23.5.16

Mundo de criança

No seu coração, cabe a fantasia de um mundo inteirinho
Ai do mundo, se não for igualzinho ao seu sonhar
Pois onde você mora, o sorriso é brisa e vento
E toca a todos com seu jeito de voar

Que seus sonhos alcem voos como as borboletas
Colorindo os olhos de quem perto esteja
E que você se saiba o jardim,
Filha da beleza como campos de jasmim

Que seu maior brinquedo seja a vida.
As palavras e a escrita, uma das suas melhores companhias
Que o estudar, seja a sua escada
E que o céu e as estrelas tenham um gostinho conhecido de casa

Que seus amigos sejam seu maior tesouro
E que você descubra que a amizade é a maior riqueza entre vocês
Que o tempo seja seu dinheiro
E que você saiba sempre gastá-lo muito bem

Que esse presente, seja embrulhado e guardado na sua lembrança
Como uma casinha, num vale todo verde, de criança
Que deixei para você visitar sempre
Ao fim de uma estrada de barro, bem diferente

Onde é sempre seu aniversário
E a festa aqui
É a alegria de vê-la sempre contente.

17.5.16

#Inspirações-002

Os Barcos
Legião Urbana

Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver

Que só terminou pra você
São só palavras, texto, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato

Da peça que interpreto, um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos
E há muito estou alheio e quem me entende

Recebe o resto exato e tão pequeno
É dor, se há, tentava, já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor,se este é só orgulho

Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho
Baldio é o meu terreno e meu alarde

Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade e você com outro alguém
E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver

Só terminou pra você
Só terminou pra você
Só terminou pra você

2.5.16

Apontamento

Se um dia eu for morto,
Com um tiro desses que saem pela culatra
Como dos três dedos que apontam para nós,
                                   quando apontamos um.
Que eu tenha aprendido antes,
A importância do perdão!

21.3.16

Outono

Nesse ciclo, são seus os dias do início
Nesse seu passar, são suas, as folhas que caem
Você infligi ao tempo, um abraço de vento
Desfolha a vida, renova dos galhos às nossas despedidas
Todas as minhas certezas, descoloridas com a sua vinda
Na minha tentativa de entendimento
Uso eu, no seu dia, estação e poesia

4.2.16

#Inspirações-001

Bukowski - O Pássaro Azul
Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém te ver.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky em cima dele
e inalo fumaça de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
aqui dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres estragar o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão dormindo.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não fique triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer por completo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e você?
Charles Bukowski

27.1.16

Fantasias

Quantas fantasias emocionais
Somos tantos
De qual dos meus
Me sei mais?

Desse que nasce agora
Ou desse eu antigo
Que não vai embora?

Sou eu mentindo pra mim
Ou o mundo que já não me convence mais?

22.1.16

Tons de cinza

Sob seus tons de cinza,
Esse olhar rente ao seu, que a pinta
De preto e branco
Você veste, esse sorriso de sombra
É luz na minha noite
Desse contraste da sua tinta
A pose é sua,
Metade dessa minha sintonia
De ver no seu posar,
Poesia!

4.1.16

Sem se despedir

Quando lhe é retirado o direito ao adeus, a saudade escreve na alma um desejo de presença que não aceita despedida.

14.12.15

Música

Pois na música da vida, dançar é um deleite à parte.

A quem falo de amor

A quem falo de amor, muitas vezes não me escuta, pois nem sempre pode me ouvir
A quem entrego o que sou, não sabe o caminho, só conhece a medida do doar-se em precisão
A quem me dou, sabe, mesmo sem saber, que embora seja sempre água, ha diferença entre,
Cobrir os pés e cobrir o corpo!
Quando falo eu, de amor
Não me escute, leia meu verbo
A quem falo de amor, falo com barulho nos atos
Silencio à boca, só a abro pro beijo
A quem falo de amor.

4.11.15

Colheita

Às vezes planto ausência,
...para colher saudades.

Mas de alguma forma semeei indifereça
...e acabo por colher descaso.

30.10.15

Jogo de dados

Matamos nossa responsabilidade (!),
nos demos de presente o descaso.
O trabalho e a conquista, como recompensas
daquilo que recebemos por pura sorte

17.7.15

Brincar de mentir

Uso as frases como brinquedo
e não há uma, que não seja verdade 

Você brinca com a verdade
 e não há uma em que se possa acreditar

10.7.15

Desgosto

Perdi o gosto pelo futuro
Estou preso às minhas melhores lembranças
Implorando-as, uma qualquer coisa de agora.

8.7.15

Quem mata?

No mundo em que vivo
Há quem fale de deus e mate
à sangue frio mesmo
Empunhando preconceito, como arma

A fome, ainda mata
A indiferença, acredite você
Mata!
O ladrão, morre se a gente vê

Até a gente mata,
nos dias de hoje.
Quando se cala
Quando aceita mudo

esse gole intolerante
De que a desculpa serve como ladra
para que se tome à vida na marra.

Na tentativa vã, de mostrar seu valor,
quem mata?
Quem acredita, que se paga com morte,
à ignorância de não ensinar,

O valor da própria vida.

7.7.15

Pontos

Que ainda lhe sobre doçura
Quando o mundo lhe for amargo

Que ainda lhe sobre um som
Quando o mundo for silêncio

Que sobre lembrança
Em dia de esquecimento

Que sobre um sorriso
Em dia que formos chuva

Que nos sobre um pouco de humano
Quando formos tão feras

Que sobre em nós
Um pouco de eu

Que sobre letras
Para tantos pontos

6.7.15

Sol

Toda vez que duvidei do sol,
foi por ter me distraído com o tempo,
vai ver é assim também com o amor.