Me leia com os olhos fechados.
Somos todos iguais aqui nessa casa de portas vedadas,
onde sós e nus,
nos vemos mais que no espelho do outro que nos lê.
Alguns guardados, rascunhos, pedaços... Achados em um ermo porto, do outro lado, lá onde a carne não abriga espaço. Faz-se alma e escreve pela perturbada mente, que mente. Escreve-se aqui, o presente passado. O passado em presente.
27.9.11
19.9.11
Fotografia
Escrever é como fotografar com os olhos alheios,
é permitir o enquadramento pelo outro,
é deixar a composição em outras mãos, ou interpretações.
É de fato se fazer retrato em ação, ali paralisado
na face de quem agora só me lê fotografia.
Nunca temi morar em nenhuma retina, tampouco me negarei
a enfeitar móveis com passado.
Molduras ciliares me encerram.
é permitir o enquadramento pelo outro,
é deixar a composição em outras mãos, ou interpretações.
É de fato se fazer retrato em ação, ali paralisado
na face de quem agora só me lê fotografia.
Nunca temi morar em nenhuma retina, tampouco me negarei
a enfeitar móveis com passado.
Molduras ciliares me encerram.
29.8.11
Escalada
Quem disse que é normal ser normal?
E que vamos de alguma forma conseguir algo,
seguindo o que os outros falam ou sentem?
Na maior parte do tempo estamos fazendo escolhas,
sem nem sequer conhecermos as consequências.
Atiramos o dado do destino só por um segundo e tudo muda!
Insistimos que tudo deveria parar e ser.
Mas se então se faz, a monotonia é inevitável.
Vem o desconforto e lá vamos nós, para um desembaraço
de sorrisos e lágrimas.
Até que percebemos que o fundamental não é isso?
É podermos mesmo rir, de felicidade e vontade, até doer a bochecha
Assim bem largo e forte a ponto de contagiar a todos!
O mesmo não vale para o choro?
Bom é chorar e de verdade, como se fosse o último,
Como se tivesse sido esquecido, num guarda volumes por alguém,
que nem vem te buscar!
Numa rodoviária distante, sozinho...
chorar de soluço, senão não tem graça, não vale, é fingimento.
Não é uma beira de abismo o que precisamos sempre?
Pulamos e escalamos a montanha, hoje sorrio no salto
Amanhã me lanço de tédio, depois subo como conquista
Volto sempre!
Mas, a vida não é sempre isso? (...)
A vida é não parar e a gente acha que sempre busca felicidade.
Quando na verdade...
A gente busca mesmo é passar mais tempo calmo,
mais tranquilo, apreciando a vista da montanha que subimos.
E que vamos de alguma forma conseguir algo,
seguindo o que os outros falam ou sentem?
Na maior parte do tempo estamos fazendo escolhas,
sem nem sequer conhecermos as consequências.
Atiramos o dado do destino só por um segundo e tudo muda!
Insistimos que tudo deveria parar e ser.
Mas se então se faz, a monotonia é inevitável.
Vem o desconforto e lá vamos nós, para um desembaraço
de sorrisos e lágrimas.
Até que percebemos que o fundamental não é isso?
É podermos mesmo rir, de felicidade e vontade, até doer a bochecha
Assim bem largo e forte a ponto de contagiar a todos!
O mesmo não vale para o choro?
Bom é chorar e de verdade, como se fosse o último,
Como se tivesse sido esquecido, num guarda volumes por alguém,
que nem vem te buscar!
Numa rodoviária distante, sozinho...
chorar de soluço, senão não tem graça, não vale, é fingimento.
Não é uma beira de abismo o que precisamos sempre?
Pulamos e escalamos a montanha, hoje sorrio no salto
Amanhã me lanço de tédio, depois subo como conquista
Volto sempre!
Mas, a vida não é sempre isso? (...)
A vida é não parar e a gente acha que sempre busca felicidade.
Quando na verdade...
A gente busca mesmo é passar mais tempo calmo,
mais tranquilo, apreciando a vista da montanha que subimos.
23.5.11
Quebra-cabeça
Hei isso aqui não é receita, tampouco tem sentido as críticas,
E não faz a menor diferença saber escrever.
Isso aqui é vida, a gente rabisca ali, para ler lá e depois
achar que entendeu às avessas e escrever de novo, mas agora tudo diferente.
Nada aqui está acima ou abaixo do mal ou em busca da razão acima de todas
que derrube todos os verbos com a verdade da sabedoria, isso é mentira.
Se nossa escrita tem por consequência falar aos nossos ouvidos o caminho
de entendimento de nós mesmos, oras se vê-se quebra-cabeça desmontado
falará das peças e não dá obra.
O que penso é que há um céu em uma peça que o componha, infinita quanto o todo,
logo dela falaria das nuvens como se o céu todo fervesse nela, não?
E de quem não é a dor de toda alegria e de quem não é a alegria de toda dor?
Somos essa repetição e quais as palavras que nunca foram ditas?
Somos mesmisses, exclamações, choros, indagações, somos esse coletivo desajustado,
mas a busca não é por alinhá-los ou correspondê-los, é senão por harmonizá-los,
fazer com que as pernas e os passos sigam uma direção coerente com o que
reflete no pensamento.
Boa caminhada, não na escrita, mas nas atitudes, a gente também mente
para nós mesmos e tudo o que penso é que ainda assim a ignorância não só evidência
o tão pouco que sabemos, como é ela que rege o todo pelo qual nos apaixonamos.
A verdade e a certeza, são armas contra o épico de viver!
E não faz a menor diferença saber escrever.
Isso aqui é vida, a gente rabisca ali, para ler lá e depois
achar que entendeu às avessas e escrever de novo, mas agora tudo diferente.
Nada aqui está acima ou abaixo do mal ou em busca da razão acima de todas
que derrube todos os verbos com a verdade da sabedoria, isso é mentira.
Se nossa escrita tem por consequência falar aos nossos ouvidos o caminho
de entendimento de nós mesmos, oras se vê-se quebra-cabeça desmontado
falará das peças e não dá obra.
O que penso é que há um céu em uma peça que o componha, infinita quanto o todo,
logo dela falaria das nuvens como se o céu todo fervesse nela, não?
E de quem não é a dor de toda alegria e de quem não é a alegria de toda dor?
Somos essa repetição e quais as palavras que nunca foram ditas?
Somos mesmisses, exclamações, choros, indagações, somos esse coletivo desajustado,
mas a busca não é por alinhá-los ou correspondê-los, é senão por harmonizá-los,
fazer com que as pernas e os passos sigam uma direção coerente com o que
reflete no pensamento.
Boa caminhada, não na escrita, mas nas atitudes, a gente também mente
para nós mesmos e tudo o que penso é que ainda assim a ignorância não só evidência
o tão pouco que sabemos, como é ela que rege o todo pelo qual nos apaixonamos.
A verdade e a certeza, são armas contra o épico de viver!
14.12.10
Eu quero
Quero uma mulher que seja guerreira e sonhadora,
Guerreira para reconhecer a batalha da vida e o cansaço de quem está em campo
Sonhadora para que vez ou outra possamos voar juntos
Uma mulher que tenha fé para contrastar com minhas ciências
Quero uma companheira, porque não sou forte sempre e muito pequeno no meu íntimo
Quero uma esposa, porque quero sonhar com família e aprendi sobre o valor da minha
Quero também, que ela saiba ser menina, amante e mulher
Ainda acredito nisso, depois de todo esse tempo, não pergunte-me como.
Que seja frágil, e sendo, eu me sinta grande ao protegê-la.
Quero uma irmã-mulher, que perceba que somos feitos também de defeitos
E que isso seja um convite a descoberta, que não precisamos mudar um ao outro
Quero muito uma mulher, que goste do convívio, mas entenda o espaço de cada um
Que a rotina a incomode, mas que isso não a faça fugir para o mundo
Mas proponha sempre a dinâmica mudança da conquista
E que ela, depois de tudo o que quero, me ensine a ver
que também preciso ceder a tudo isso.
Guerreira para reconhecer a batalha da vida e o cansaço de quem está em campo
Sonhadora para que vez ou outra possamos voar juntos
Uma mulher que tenha fé para contrastar com minhas ciências
Quero uma companheira, porque não sou forte sempre e muito pequeno no meu íntimo
Quero uma esposa, porque quero sonhar com família e aprendi sobre o valor da minha
Quero também, que ela saiba ser menina, amante e mulher
Ainda acredito nisso, depois de todo esse tempo, não pergunte-me como.
Que seja frágil, e sendo, eu me sinta grande ao protegê-la.
Quero uma irmã-mulher, que perceba que somos feitos também de defeitos
E que isso seja um convite a descoberta, que não precisamos mudar um ao outro
Quero muito uma mulher, que goste do convívio, mas entenda o espaço de cada um
Que a rotina a incomode, mas que isso não a faça fugir para o mundo
Mas proponha sempre a dinâmica mudança da conquista
E que ela, depois de tudo o que quero, me ensine a ver
que também preciso ceder a tudo isso.
Levaste minha calma
Eu fico perdido aqui
Onde quem sou, eu não sei!
Sou?
Quem?
Eu?
Cadê você?
Eu ví, você passou por aqui,
logo atrás de mim
Eu sei,
por que sem querer esbarrara na minha alma
levando toda minha calma
Onde quem sou, eu não sei!
Sou?
Quem?
Eu?
Cadê você?
Eu ví, você passou por aqui,
logo atrás de mim
Eu sei,
por que sem querer esbarrara na minha alma
levando toda minha calma
18.11.10
É preciso
É preciso
é preciso paciência,
é preciso sonhos,
é preciso esperança,
mas quando o vento do dia muda de lado
e varre a tudo como folha,
é preciso ter sedimentado a eternidade como espelho da alma,
para acreditar que o presente
é uma criança sentada aos pés de um velho homem
é preciso paciência,
é preciso sonhos,
é preciso esperança,
mas quando o vento do dia muda de lado
e varre a tudo como folha,
é preciso ter sedimentado a eternidade como espelho da alma,
para acreditar que o presente
é uma criança sentada aos pés de um velho homem
25.10.10
No meu jardim
Dê-me um gole de sua mulher
dê-me seu vício, seu desejo a pino!
Arranca-me de dentro de mim!
Esse homem que perdeu seu próprio encanto
Força-me, prostar-me-ei ao seu desejo
se de mim, me mover...
Pois a cada encanto simulado
a cada desencanto partido
me envolvo nas palavras permicivas
de um amor, de um desatino
Só para ver brotar no meu jardim
uma planta com nome e cor
E assim ao cuidar, lembra-la e chamar de minha
dê-me seu vício, seu desejo a pino!
Arranca-me de dentro de mim!
Esse homem que perdeu seu próprio encanto
Força-me, prostar-me-ei ao seu desejo
se de mim, me mover...
Pois a cada encanto simulado
a cada desencanto partido
me envolvo nas palavras permicivas
de um amor, de um desatino
Só para ver brotar no meu jardim
uma planta com nome e cor
E assim ao cuidar, lembra-la e chamar de minha
23.10.10
Estrelas
A simplicidade é a genialidade da poesia,
afinal você é essa imensidão toda e ainda assim intocável.
Essa abstração do inverso de não estar.
Estar só é estar demasiadamente acompanhado de som,
cheiro, sentido...
É olhar o amor, só para ver.
Apague às luzes ao me ler,
leia estrelas.
afinal você é essa imensidão toda e ainda assim intocável.
Essa abstração do inverso de não estar.
Estar só é estar demasiadamente acompanhado de som,
cheiro, sentido...
É olhar o amor, só para ver.
Apague às luzes ao me ler,
leia estrelas.
19.10.10
Sorrisos
Sábios são os sorrisos que dormem no úmido de teus olhos
Escorrem pela face clara de tua retina, assim suaves
E de alguma forma aconchegam-se nos becos de teu passado
Sorrisos sonham acordados com tua inocência
Indecentes, roubam tua vista e a olham por dentro
Justo quando teus olhos ignoram o mundo lá fora, fechados
Já me perguntei se sei dos meus sorrisos todos que moram em você
Você sempre fala de rosa, coração e espinho
Eu ainda nessa infância de gente grande, falo de pulmão, olhos e ouvido
Você finge saber-me tão perto mas é fato de que nunca nos vimos
eu ainda sento no meio-fio, à esquina da vida
Sem vê-la, tu doas teus sorrisos todos
Que guardo sem saber
Escorrem pela face clara de tua retina, assim suaves
E de alguma forma aconchegam-se nos becos de teu passado
Sorrisos sonham acordados com tua inocência
Indecentes, roubam tua vista e a olham por dentro
Justo quando teus olhos ignoram o mundo lá fora, fechados
Já me perguntei se sei dos meus sorrisos todos que moram em você
Você sempre fala de rosa, coração e espinho
Eu ainda nessa infância de gente grande, falo de pulmão, olhos e ouvido
Você finge saber-me tão perto mas é fato de que nunca nos vimos
eu ainda sento no meio-fio, à esquina da vida
Sem vê-la, tu doas teus sorrisos todos
Que guardo sem saber
15.10.10
Eu ví!
Eu já perdi tudo, até essa escrita que você concede
Joguei ela aqui e ela escorre, entre seus olhos
Como escapara de cada um dos meus dedos
Perdi você, não em mim, mas por sonhar em ter!
É fácil perceber que o reflexo da vontade
É da frustração a face
Favorece à minha desordenada ordem sua
Assim tão inteira e segura na rotina,
Vai me dizer, você não viu perder o sabor?
Você não me viu, perder o número do seu abraço?
Seja sincera, eu perdi a medida dos seus sonhos!
Você não me viu acordar quando veio dormir?
Mas me viu olhar,
Molhar os olhos com a dor
Eu ví!
Joguei ela aqui e ela escorre, entre seus olhos
Como escapara de cada um dos meus dedos
Perdi você, não em mim, mas por sonhar em ter!
É fácil perceber que o reflexo da vontade
É da frustração a face
Favorece à minha desordenada ordem sua
Assim tão inteira e segura na rotina,
Vai me dizer, você não viu perder o sabor?
Você não me viu, perder o número do seu abraço?
Seja sincera, eu perdi a medida dos seus sonhos!
Você não me viu acordar quando veio dormir?
Mas me viu olhar,
Molhar os olhos com a dor
Eu ví!
14.10.10
Vermelho viscoso
De alguma forma pareço ancorado no seu porto
Eu quero te espantar ou fugir, correr
Mas a minha alma não acompanha
E vivo essa luta com meu corpo
Parei em você,
Ainda que tenha mil gostos a provar
A certeza de ter colhido um fruto na árvore da vida
E conhecê-lo o sabor,
Não me cede mais que a dúvida, nunca o interesse humano do desconhecido
Vai ver a alma se preocupa com o tempo, a segurança
Do que com a calunia da juventude eterna, de sempre se lançar ao mar
Vai ver viverei em você tentando fugir de volta
Longe alma, sendo apenas corpo
- Espera! Escorre algo no meu rosto, brota dos olhos... (diz você)
Use para ler melhor, a vida é mais borrada que clara.
Deixe embaçar a vista e me veja, pois clareza e transparência é mentira,
a vida é vermelha e viscosa.
Eu quero te espantar ou fugir, correr
Mas a minha alma não acompanha
E vivo essa luta com meu corpo
Parei em você,
Ainda que tenha mil gostos a provar
A certeza de ter colhido um fruto na árvore da vida
E conhecê-lo o sabor,
Não me cede mais que a dúvida, nunca o interesse humano do desconhecido
Vai ver a alma se preocupa com o tempo, a segurança
Do que com a calunia da juventude eterna, de sempre se lançar ao mar
Vai ver viverei em você tentando fugir de volta
Longe alma, sendo apenas corpo
- Espera! Escorre algo no meu rosto, brota dos olhos... (diz você)
Use para ler melhor, a vida é mais borrada que clara.
Deixe embaçar a vista e me veja, pois clareza e transparência é mentira,
a vida é vermelha e viscosa.
5.10.10
Na esquina de um amanhã
É verdade, eu a perdi
Perdi você no meu amanhã, na minha insensatez
Nesse meu querer tamanho
Que o hoje me devora
Eu a perdi no meu futuro e isso já faz tanto tempo
E só porque sonhei que seria você
Eu lembro, olhei nos seus olhos e disse
É você!
Foi!
Foi até o meu amanhã
Quando sentado naquele banco na esquina da sua vida
A ví passar de mãos dadas com o acaso,
Passeando com sua liberdade prometida
Cem pássaros pelo céu
Sem passos seus, sentei
Sem passar, passaram vocês
Eu sofrerei sempre
A certeza de "ser" você
Por jamais ter sido
Perdi você no meu amanhã, na minha insensatez
Nesse meu querer tamanho
Que o hoje me devora
Eu a perdi no meu futuro e isso já faz tanto tempo
E só porque sonhei que seria você
Eu lembro, olhei nos seus olhos e disse
É você!
Foi!
Foi até o meu amanhã
Quando sentado naquele banco na esquina da sua vida
A ví passar de mãos dadas com o acaso,
Passeando com sua liberdade prometida
Cem pássaros pelo céu
Sem passos seus, sentei
Sem passar, passaram vocês
Eu sofrerei sempre
A certeza de "ser" você
Por jamais ter sido
24.9.10
Mundo
Eu não tenho pra onde correr e o mundo é tão pequeno.
Não por que o conheça por inteiro, mas por poder conhecê-lo.
Olha lá a eternidade, se desdobrando toda no tempo,
no universo à frente de seus olhos!
E entre ela e nós, nenhuma intimidade.
Me inclino sempre mais a sentir-me em casa,
nas coisas grandes que desconheço.
Acredito sempre, que é de onde nascemos almas sem sermos homens.
Não por que o conheça por inteiro, mas por poder conhecê-lo.
Olha lá a eternidade, se desdobrando toda no tempo,
no universo à frente de seus olhos!
E entre ela e nós, nenhuma intimidade.
Me inclino sempre mais a sentir-me em casa,
nas coisas grandes que desconheço.
Acredito sempre, que é de onde nascemos almas sem sermos homens.
23.9.10
Nossa sala
Você muda como o céu
Eu quente como o sol
Sem você não surjo
Sem mim seu silêncio,
é só silêncio!
Não me escute
Veja só a minha luz
Não me apague
Deixe-me pôr à sombra
das suas curvas
Me deitar por trás de sua pele
Entardecer nos seus olhos
A meia luz de mim
Até não poder me ver
Assim me fazer noite
A sós, na sala de nós dois.
Eu quente como o sol
Sem você não surjo
Sem mim seu silêncio,
é só silêncio!
Não me escute
Veja só a minha luz
Não me apague
Deixe-me pôr à sombra
das suas curvas
Me deitar por trás de sua pele
Entardecer nos seus olhos
A meia luz de mim
Até não poder me ver
Assim me fazer noite
A sós, na sala de nós dois.
20.9.10
Cisco
foi um cisco
caiu aqui, bem na minha vista
imprescindível graça
lendo sua farsa
seu jogo de letras
e só você me arremata sem explicação
para ser inspiração
pois amo, nada e coisa alguma quero de você
senão você com nada pra fazer
mas quase sempre prefiro nem dizer!
caiu aqui, bem na minha vista
imprescindível graça
lendo sua farsa
seu jogo de letras
e só você me arremata sem explicação
para ser inspiração
pois amo, nada e coisa alguma quero de você
senão você com nada pra fazer
mas quase sempre prefiro nem dizer!
16.9.10
Michelangelo
E ele no auge de sua inspiração,
compunha suas palavras fortes,
em pedra
Tomava para si a sua folha branca,
o mais claro mármore, o mais pesado "papel"
E na sua fala, destemida ante sua obra,
retiraria os excessos, deixaria em relevo
as linhas, silhuetas de sua poesia
Dançar-se-ia, em breve, sapatiando nos talhos ao chão
Deslumbrando a vida que surgia,
O corpo que, outrora sabia, havia preso em cada rocha
Em sua cirurgia, minunciosa, desenhava leve
Feito Deus, quando faz uma montanha
Usando a mão como vento e os olhos como chuva
Esculpiu a eternidade em homem
E o preconceito esfria, na pele de seu desejo
Revestido, mas não vivo, do calor que lhe falta
No amparo solidário de sua solidão
Na sua intitulada perfeição,
Seu devaneio lhe visita,
- "Perché non parli?",
Ao rasgar a sua folha, pelo poema que não sente
Não há verso que componha, sua criação.
compunha suas palavras fortes,
em pedra
Tomava para si a sua folha branca,
o mais claro mármore, o mais pesado "papel"
E na sua fala, destemida ante sua obra,
retiraria os excessos, deixaria em relevo
as linhas, silhuetas de sua poesia
Dançar-se-ia, em breve, sapatiando nos talhos ao chão
Deslumbrando a vida que surgia,
O corpo que, outrora sabia, havia preso em cada rocha
Em sua cirurgia, minunciosa, desenhava leve
Feito Deus, quando faz uma montanha
Usando a mão como vento e os olhos como chuva
Esculpiu a eternidade em homem
E o preconceito esfria, na pele de seu desejo
Revestido, mas não vivo, do calor que lhe falta
No amparo solidário de sua solidão
Na sua intitulada perfeição,
Seu devaneio lhe visita,
- "Perché non parli?",
Ao rasgar a sua folha, pelo poema que não sente
Não há verso que componha, sua criação.
10.9.10
Lábios cortados
Você me arranca, me inflama
Foge, queima, se afugenta
E pra que, se não sou?
Se não vou?
Você é tanto e tão mais
Não sabe o que o seu vento faz?
O que o seu verbo traz?
Como seu homem nasce?
Existe onde, que não aqui?
Esse amor inflamado, viscerado
Bordado sem cor, sem arranjo
Te cato nos meus dobrados
Você me encontra nos seus guardados
Eu sou mais rascunho dos seus pulsos
Que escritor
Me atira do seu predicado
Prejudicado, pela ameça que pratica
Pago do mesmo mal que a sua solitária
Sinto cada mordida
Tivera eu a sorte de não saber, o gosto do beijo que roubo
Não que o tenha perdido, mas tê-lo oprimido
Censurado mesmo!
Só a quem dói o inverno,
prova os lábios cortados nas manhãs frias.
Foge, queima, se afugenta
E pra que, se não sou?
Se não vou?
Você é tanto e tão mais
Não sabe o que o seu vento faz?
O que o seu verbo traz?
Como seu homem nasce?
Existe onde, que não aqui?
Esse amor inflamado, viscerado
Bordado sem cor, sem arranjo
Te cato nos meus dobrados
Você me encontra nos seus guardados
Eu sou mais rascunho dos seus pulsos
Que escritor
Me atira do seu predicado
Prejudicado, pela ameça que pratica
Pago do mesmo mal que a sua solitária
Sinto cada mordida
Tivera eu a sorte de não saber, o gosto do beijo que roubo
Não que o tenha perdido, mas tê-lo oprimido
Censurado mesmo!
Só a quem dói o inverno,
prova os lábios cortados nas manhãs frias.
9.9.10
O que eu não entendo
Hoje eu não tenho medo, não por que não o tenha
Mas porque o desafio!
Hoje eu arrisco,
na reposta errada mesmo!,
não por sê-la,
mas por só termos dois caminhos,
um deles, um outro que não sei
É por que o tempo pinta o rosto e joga frouxo,
passando-se de vida
enquanto é só tempo para o coração que germina.
E não é de flores que qualquer paraíso é feito?,
enfeito então à minha maneira fina
de ser cinza
A de virar poema,
ser bebido,
virar bebida
Ainda que não haja tinta,
me sobra essa malha fina
E não é arte o que fica?
Deixo nome, estilo, graça
Você sempre me convence que não é de graça
Já se fez, ainda se faz
então vem a mim essa tortura da alma presa gritando vida
Num quarto pequeno de paredes e algumas taças
Em cada copo o vinho tinto da vida
Você brinda forte, me derrama, me inspira
Escorre com pressa no pensamento,
como vela que infla seduzida pelo vento
Para chorar meu baldio terreno vendido a qualquer preço
E cadê o seu olhar atento?
Já fui entregue,
Sem apreço
Justo quando estive em aconchego
Nos seus braços, sendo!
Sentado no seu colo, debruçado nos seus olhos
Varrido pela cor ferrugem da folha que na calçada se atira
Sempre no outono,
já hoje em dia,
se vê até no inverno.
Quando o tempo, se veste de estação,
para que não esqueçamos a importância de um só dia
A pergunta que sempre me intriga
Ainda que nem sempre a resposta eu persiga
Valeu à pena, respirar cada segundo da memória,
que se forma no segundo que o presente se degola?
Quando a casa está vazia e o pensamento tem fala
Se ouve o sussurro do silêncio, assim feito companhia
Pra mergulhar no mar refletindo sol,
de um jeito que só eu via
Não há maior beleza que a da harmonia
Os pássaros sabem mais de melodia por amarem
Simplesmente amarem à vida.
E você tentando me impressionar com monossílabas
Mas porque o desafio!
Hoje eu arrisco,
na reposta errada mesmo!,
não por sê-la,
mas por só termos dois caminhos,
um deles, um outro que não sei
É por que o tempo pinta o rosto e joga frouxo,
passando-se de vida
enquanto é só tempo para o coração que germina.
E não é de flores que qualquer paraíso é feito?,
enfeito então à minha maneira fina
de ser cinza
A de virar poema,
ser bebido,
virar bebida
Ainda que não haja tinta,
me sobra essa malha fina
E não é arte o que fica?
Deixo nome, estilo, graça
Você sempre me convence que não é de graça
Já se fez, ainda se faz
então vem a mim essa tortura da alma presa gritando vida
Num quarto pequeno de paredes e algumas taças
Em cada copo o vinho tinto da vida
Você brinda forte, me derrama, me inspira
Escorre com pressa no pensamento,
como vela que infla seduzida pelo vento
Para chorar meu baldio terreno vendido a qualquer preço
E cadê o seu olhar atento?
Já fui entregue,
Sem apreço
Justo quando estive em aconchego
Nos seus braços, sendo!
Sentado no seu colo, debruçado nos seus olhos
Varrido pela cor ferrugem da folha que na calçada se atira
Sempre no outono,
já hoje em dia,
se vê até no inverno.
Quando o tempo, se veste de estação,
para que não esqueçamos a importância de um só dia
A pergunta que sempre me intriga
Ainda que nem sempre a resposta eu persiga
Valeu à pena, respirar cada segundo da memória,
que se forma no segundo que o presente se degola?
Quando a casa está vazia e o pensamento tem fala
Se ouve o sussurro do silêncio, assim feito companhia
Pra mergulhar no mar refletindo sol,
de um jeito que só eu via
Não há maior beleza que a da harmonia
Os pássaros sabem mais de melodia por amarem
Simplesmente amarem à vida.
E você tentando me impressionar com monossílabas
Lido por ela
Você não sabe de nada mesmo.
Como eu poderia querer
Que soubesse o quanto eu amo você...?
É, você nada sabe.
E deve ter uma dúvida imensa disso...
Você nem acredita no que vivo,
Nessa prisão feita ao ar livre...
Talvez um dia
Você se coloque no meu lugar
Mas se o fizer,
Certamente fugirá para longe..
E me deixará aí...
Fria onde você está
Ah...
Você realmente não sabe...
Enquanto tudo que sei
É que vivo só por te amar...
Como eu poderia querer
Que soubesse o quanto eu amo você...?
É, você nada sabe.
E deve ter uma dúvida imensa disso...
Você nem acredita no que vivo,
Nessa prisão feita ao ar livre...
Talvez um dia
Você se coloque no meu lugar
Mas se o fizer,
Certamente fugirá para longe..
E me deixará aí...
Fria onde você está
Ah...
Você realmente não sabe...
Enquanto tudo que sei
É que vivo só por te amar...
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